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É a educação, estúpido!

22 de Abril de 2008 às 10:43
Uma agenda mínima de investimentos e ações para a educação no Brasil. É o que propõe o deputado Fábio Sousa (PSDB) em artigo publicado no Diário da Manhã, na edição de 19.04.2008.

* Fábio Sousa é deputado estadual pelo PSDB.

Na campanha presidencial norte-americana de 1992, o marqueteiro James Carville coordenou a campanha vitoriosa de Bill Clinton. Uma frase criada por Carville atormentou todos os participantes do staff de campanha de Bill Clinton. Segundo consta, ele espalhou uma frase por todo QG, frase que ele repetia várias vezes ao seu cliente: “É a economia, estúpido.”

O que ele queria era chamar a atenção do candidato e da sua equipe para a maior fonte eleitoral que existe: a economia. Bill Clinton aprendeu com seu mentor, fez um governo voltado para o fortalecimento da já gigantesca economia americana, o que lhe rendeu grandes índices de aprovação, apesar de ter sofrido um processo de impeachment, passado por vários escândalos pessoais e por ter mentido em público, algo que a “moral” americana repudia veemente.

O presidente Lula também aprendeu este segredo. Cuida de forma exemplar da economia brasileira, honrando compromissos e dando liberdade a pessoas de competência reconhecida internacionalmente no assunto, como o presidente do Banco Central brasileiro, o goiano Henrique Meirelles. Por mais que passe por escândalos jamais vistos na história brasileira, o presidente continua com índices invejáveis de aprovação popular, graças aos bons índices econômicos brasileiros.
Mas há algo que está sendo feito errado em nossa nação. Meu pai sempre me disse que devo cuidar do meu presente e do meu futuro simultaneamente. Não devo pensar apenas no meu presente. Tenho que agir no presente pensando no futuro.
Cuidar da economia é algo fantástico para o nosso presente. Mas devemos semear sementes de crescimento para o nosso futuro. E não existe semente mais poderosa, mais eficaz e com retorno garantido do que o investimento maciço em educação.
Países que hoje são considerados primeiro mundo investiram maciçamente, no passado, em educação. Países que hoje estão próximos de serem considerados desenvolvidos, como a Coréia do Sul e o Chile, investiram muito em educação no passado recente, colocando-a como principal plano de ação governamental, acima de credos partidários políticos.

No Brasil, apesar das significativas melhoras dos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula, ainda há muito a se fazer. Segundo o IBGE, ainda existem 11,1% de crianças em idade escolar (04 a 17 anos) que não estão matriculadas em uma escola. O número é assustador quando sabemos que esta porcentagem representa mais de cinco milhões de crianças brasileiras que não estão freqüentando uma escola.

Assustador é saber que, segundo dados da ONG “Todos pela Educação”, só 29% das crianças da 4ª série do Ensino Fundamental aprenderam o mínimo esperado na matéria de Português, ou ainda, 13% apenas dos alunos da 8ª série do ensino fundamental aprenderam o mínimo esperado em Matemática. Ou seja, aqueles que estão na sala de aula não estão aprendendo quase nada.

Segundo o IBGE, na mesma pesquisa, menos de 30% da população com menos de 19 anos concluiu o ensino fundamental. A maioria dos brasileiros larga os estudos antes de concluir o ensino fundamental. Isto acontece devido a vários fatores, o principal, é a necessidade de se trabalhar para ajudar com o custeio de suas casas.

Até há pouco tempo, 7% da população brasileira tinha formação superior. Nos Estados Unidos, esta porcentagem era, no mesmo ano pesquisado, de 77% da população norte americana. O Brasil precisa refletir e mudar.

O senador Cristóvão Buarque abordou muito isto quando foi candidato à Presidência da República. Apelidado de candidato de uma nota só, Cristóvão sabia que não iria ganhar, todos nós sabíamos, mas ele conseguiu colocar a educação no centro de discussões. Não conheço o senador, e nem sou de seu partido, mas devo reconhecer que ele deu uma grande contribuição para o futuro dos brasileiros.

Na verdade, a educação deveria estar acima de qualquer discussão partidária. Lanço aqui, neste espaço a mim conferido pelo Diário da Manhã, uma idéia:


Que os grandes partidos brasileiros indiquem, cada um, dois representantes e os partidos menores, com representação no Congresso Nacional, indiquem um representante, para que, juntos, realizem um encontro onde vão discutir uma agenda mínima de investimentos e ações para educação no Brasil. No final do encontro, os partidos devem divulgar princípios acordados entre eles que deverão ser cumpridos a qualquer custo em todo o Brasil, seja quem for o governante.


Proponho também que os partidos sejam proibidos de utilizar de forma eleitoreira os resultados do encontro. A educação deve ser tratada como motor do futuro, e não degrau de crescimento político.

Se agirmos assim, estaremos semeando um novo Brasil, fortalecido pela educação, onde nossos filhos poderão crescer sonhando e principalmente tornando seus sonhos em realidade. É a educação, estúpido, que poderá levar o Brasil a ser desenvolvido um dia!

Fábio Sousa é deputado estadual pelo PSDB, vice-presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, vice-presidente da Comissão dos Direitos Humanos e coordenador da frente parlamentar pela juventude na Assembléia Legislativa de Goiás.

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