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O resgate de uma biografia

22 de Abril de 2008 às 15:42
O deputado Romilton Moraes escreve artigo em que relata a trajetória do deputado federal gaúcho, Ibsen Pinheiro. Ele foi homenageado recentemente pela Assembléia Legislativa de Goiás, com o título de Cidadão Goiano. Diário da Manhã, edição de 21.04.2008.
* Romilton Moraes é deputado pelo PMDB

Há poucos dias, a Assembléia Legislativa, numa feliz iniciativa do ex-deputado Fernando Netto que assumimos com muita honra, concedeu o título de cidadão goiano a um homem de bem que sofreu uma das maiores injustiças que se tem notícia no Brasil: o deputado federal gaúcho Ibsen Pinheiro.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um grande brasileiro, figura que inspira o mais alto crédito, personalidade que merece o nosso respeito e admiração pela sua trajetória de vida, sobretudo pelo espírito de luta e notável capacidade de enfrentar e vencer adversidades.

Ibsen Pinheiro entrou para a história brasileira ao presidir a sessão da Câmara dos Deputados que aprovou o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 28 de agosto de 1992.

Em franca ascensão, ganhou poder, fama e ampla exposição na mídia. O parlamentar do PMDB do Rio Grande do Sul, vindo de uma carreira bem-sucedida como jornalista e como promotor de Justiça, passou a se constituir uma referência política do Legislativo no Brasil.

Os ventos da política conspiravam a favor de Ibsen Pinheiro e embalavam merecidos projetos de ascensão política. Daí, não ter sido surpresa alguma ver o seu nome ser lembrado como potencial candidato à Presidência da República nas eleições de 1994.

Mas em setembro de 1993, uma reportagem da revista Veja denunciou a existência de um esquema de corrupção monumental: um bando de deputados manipulava verbas orçamentárias e desviava dinheiro público.

O denuncismo irresponsável alvejava impiedosamente o deputado gaúcho: uma operação bancária sem a menor importância foi tomada como lavagem de dinheiro, uma fotografia de Ibsen em companhia de alguns dos deputados investigados foi considerada prova de crime de formação de quadrilha e uma transação financeira de mil dólares transformou-se numa megaoperação de um milhão de dólares.

Estava feito o estrago. Toda a imprensa entrou na onda da denúncia. Em 11 de novembro de 1993, a manchete de capa da Veja estampava: “Até tu, Ibsen?” A revista publicava uma devastadora matéria assinada pelo jornalista Luís Costa Pinto sustentando as acusações contra o deputado com base numa fantasiosa movimentação de um milhão de dólares, incompatível com os rendimentos declarados do parlamentar.

A tragédia não tardaria a se consumar: no ano seguinte, amargando toda a sorte de humilhações, Ibsen teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados num julgamento turvado por inquinações políticas, apesar das evidências incontestáveis apresentadas pela defesa contra as acusações.

Segundo ele escreveria mais tarde, houve um momento, no meio de todo aquele furacão, em que tomou uma decisão que vale como lição de força e energia para todos nós: convenceu-se que a melhor coisa que podia fazer por ele próprio seria agarrar-se à vida.

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