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O calvário do produtor rural

28 de Abril de 2008 às 11:09
Um grande número de problemas enfrentados pelo produtor rural está enumerado pelo deputado Wagner Guimarães, (PMDB) em artigo publicado no Diário da Manhã, edição do dia 24.04.2008.

Wagner Guimarães é deputado estadual pelo PMDB.

A falta de políticas de longo prazo e a inexistência de incentivos adequados à realidade do produtor rural; o elevado preço dos insumos agregado à dependência de mercados estrangeiros (o Brasil ainda não dispõe de uma planta industrial satisfatória para produção de defensivos); os estremecimentos da produção (principalmente no que se refere à exportação de grãos e importação de insumos) com a recente greve dos auditores da Receita Federal; os problemas de escoamento da produção frente às péssimas condições de manutenção das rodovias: como se não bastassem todas as dificuldades institucionalizadas, a ameaça à segurança patrimonial das propriedades rurais, principalmente em Goiás, parece ser o que faltava para afirmarmos que o produtor enfrenta uma conspiração contra a atividade.

Está em curso uma verdadeira onda de roubos e furtos praticados em fazendas, o que sem dúvida afeta a produção e o progresso da atividade. Marginais mudaram o perfil de atuação de uns anos para cá. Se antes furtavam pequenos artefatos ou animais domésticos, hoje estacionam caminhões e os carregam com bombas, geradores, motores diversos, componentes de máquinas agrícolas. Roubam tratores, defensivos e até equipamentos para irrigação. Sem contar quando tomam propriedades de assalto, agem com violência e fazem reféns. A própria Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) criou uma comissão específica para tratar da exclusivamente da segurança rural, numa evidência muito clara da seriedade do problema.

A maior preocupação é que os assaltantes estão se organizando em grupos cada vez maiores e passam a atuar em fronteiras interestaduais, abrindo mercados ilegais para receptação dos produtos do crime e conseguem, com isso, se fortalecer enquanto organização e afastar a ação de combate das autoridades. Há poucas semanas a Polícia Civil de Goiás prendeu membros de uma quadrilha, que se destrinchava em outros grupos menores, responsáveis pelo roubo de 11 máquinas agrícolas, avaliadas em R$ 2 milhões, que teriam sido levadas de propriedades em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. Com isso, o produtor apela para contratação de seguranças particulares. Ou seja, ele age contra o imediato, com o que está a seu alcance, contra os sintomas de um problema muito maior. E tudo acaba repercutindo no bolso de quem nada tem a ver com isso diretamente: o consumidor, porque todo investimento redunda em custos de produção.

As autoridades têm dificuldades por dois motivos principais: primeiro, pela facilidade das quadrilhas em repassar os produtos roubados. Há produtores sem escrúpulos interessados em adquirir artefatos “frios” pelos baixos preços. Outra questão é a facilidade com que as quadrilhas conseguem documentações para produtos roubados. Por exemplo, é muito mais fácil “atravessar” uma máquina agrícola que “esquentar” documentos de um carro roubado. Então, mesmo produtores de boa fé, podem ser facilmente ludibriados por falsos vendedores com notas fiscais ilegais, e sem querer acabam fomentando a atividade criminosa.

Está em curso um verdadeiro processo de descaso com a atividade agrícola e o problema não é senão de falta de políticas voltadas para o segmento. Já está passando de hora de o Executivo tomar atitudes contundentes para evitar que a ameaça generalizada à produção se torne verdadeiramente um problema de desequilíbrio no mercado de consumo. Não estamos muito distantes disso.

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