Um equívoco político, um elefante branco no ensino tecnológico em Goiás
* Wagner Guimarães, deputado estadual do PMDB.
Está em curso uma acirrada disputa que, por inabilidades, incompreensões e interesses estritamente políticos, pode resultar em prejuízos irreparáveis para a educação profissionalizante em Goiás: municípios do interior que sediam unidades federais de ensino tecnológico, além da Capital, concorrem entre si pela instalação de reitorias dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, os Ifets. Já estava definido que um Ifet Industrial seria instalado em Goiânia, o que possibilitará ao Cefet já existente a gestão por meio de uma reitoria, e não mais por uma diretoria, como ocorre hoje. Mas o governo federal editou uma chamada pública com o intuito de selecionar as propostas de formação de um Ifet Agroindustrial em Goiás. Assim, o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Rio Verde, juntamente com o Cefet de Urutaí e a Escola Agrotécnica Federal de Ceres, propuseram se integrar e formar a unidade agroindustrial.
É inquestionável o contexto agroindustrial hoje liderado por Rio Verde em Goiás. Apenas superficialmente, podemos ressaltar o município como maior produtor de grãos do Estado, por isso, maior arrecadador de impostos sobre produtos agrícolas. Possui área plantada que ultrapassa os 377 mil hectares. Esses números são resultados inegáveis da utilização de alta tecnologia aplicada à produção agrícola, não apenas com a mecanização do campo, mas também na profissionalização do produtor: temos o orgulho de sediar um dos programas de pós-graduação em Ciências da Agricultura mais bem conceituados do País, ministrado na Fesurv. Mas nem por isso o município se consolida como produtor de tecnologia, o que se faz extremamente necessário.
Não por acaso Rio Verde é sede de uma das maiores feiras de agronegócios e tecnologia agroindustrial do Brasil (a Tecnoshow Comigo, que movimenta mais de R$ 120 milhões em negócios), além de pólos industriais, cooperativas e multinacionais de monta como a Perdigão Agroindustrial S.A., Grupo Orsa, Videplast, Brasilata, Kowalski, Comigo, ADM; é sede de frigoríficos e de outras importantes empresas comprometidas com o desenvolvimento produtivo em Goiás: são cerca de 311 indústrias. Não por acaso, o município abriga mais de oito mil universitários, cinco instituições de ensino superior (dentre elas, o Cefet); e não por acaso trava esta luta para possuir uma reitoria do Ifet, mas por uma evidente necessidade.
Por mera aproximação com Goiânia, os municípios de Urutaí e Ceres, que também sediam unidades federais de ensino tecnológico, manifestaram o intuito de fazer com que a reitoria do Ifet Agroindustrial fosse instalada na Capital. Ora, por que Goiânia, que já conta com a reitoria da UFG, e que terá uma reitoria para o Ifet Industrial, teria também de sediar mais uma reitoria agroindustrial? Para que concentrar na Capital tamanha estrutura administrativa, correndo o risco de se criar um elefante branco com reitorias concorrentes, perante a necessidade descentralizadora do ensino tecnológico? A distorção foi gerada no momento em que o secretário de Educação Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), professor Eliezer Pacheco, diante da discordância entre os municípios, e por desconhecer a realidade da produção industrial e tecnológica do Sudoeste Goiano, propôs que a divergência fosse resolvida por voto majoritário entre as diretorias das unidades já existentes. Claro, a unidade de Rio Verde perdeu, vez que os outros municípios votaram em bloco.
O próprio secretário Eliezer Pacheco escreveu no artigo “Os Ifets e o projeto nacional” que “(...) os Ifets necessitarão estar intimamente sintonizados às demandas sociais-econômicas-culturais locais e regionais”. Mais à frente, o professor diz que “os Ifets, ao identificar as demandas regionais e apontar políticas para as mesmas a partir de uma perspectiva educativa, darão uma enorme contribuição para o enfrentamento das desigualdades sociais e demarcarão uma trajetória distante do academicismo e do corporativismo”. Está claro que o próprio MEC concorda com a instalação descentralizada do Ifet Agroindustrial, mas por desconhecer a realidade produtiva e demográfica do sudoeste goiano, ignora a reivindicação. Mas ainda está em tempo de evitar este erro.
Está em curso uma acirrada disputa que, por inabilidades, incompreensões e interesses estritamente políticos, pode resultar em prejuízos irreparáveis para a educação profissionalizante em Goiás: municípios do interior que sediam unidades federais de ensino tecnológico, além da Capital, concorrem entre si pela instalação de reitorias dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, os Ifets. Já estava definido que um Ifet Industrial seria instalado em Goiânia, o que possibilitará ao Cefet já existente a gestão por meio de uma reitoria, e não mais por uma diretoria, como ocorre hoje. Mas o governo federal editou uma chamada pública com o intuito de selecionar as propostas de formação de um Ifet Agroindustrial em Goiás. Assim, o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Rio Verde, juntamente com o Cefet de Urutaí e a Escola Agrotécnica Federal de Ceres, propuseram se integrar e formar a unidade agroindustrial.
É inquestionável o contexto agroindustrial hoje liderado por Rio Verde em Goiás. Apenas superficialmente, podemos ressaltar o município como maior produtor de grãos do Estado, por isso, maior arrecadador de impostos sobre produtos agrícolas. Possui área plantada que ultrapassa os 377 mil hectares. Esses números são resultados inegáveis da utilização de alta tecnologia aplicada à produção agrícola, não apenas com a mecanização do campo, mas também na profissionalização do produtor: temos o orgulho de sediar um dos programas de pós-graduação em Ciências da Agricultura mais bem conceituados do País, ministrado na Fesurv. Mas nem por isso o município se consolida como produtor de tecnologia, o que se faz extremamente necessário.
Não por acaso Rio Verde é sede de uma das maiores feiras de agronegócios e tecnologia agroindustrial do Brasil (a Tecnoshow Comigo, que movimenta mais de R$ 120 milhões em negócios), além de pólos industriais, cooperativas e multinacionais de monta como a Perdigão Agroindustrial S.A., Grupo Orsa, Videplast, Brasilata, Kowalski, Comigo, ADM; é sede de frigoríficos e de outras importantes empresas comprometidas com o desenvolvimento produtivo em Goiás: são cerca de 311 indústrias. Não por acaso, o município abriga mais de oito mil universitários, cinco instituições de ensino superior (dentre elas, o Cefet); e não por acaso trava esta luta para possuir uma reitoria do Ifet, mas por uma evidente necessidade.
Por mera aproximação com Goiânia, os municípios de Urutaí e Ceres, que também sediam unidades federais de ensino tecnológico, manifestaram o intuito de fazer com que a reitoria do Ifet Agroindustrial fosse instalada na Capital. Ora, por que Goiânia, que já conta com a reitoria da UFG, e que terá uma reitoria para o Ifet Industrial, teria também de sediar mais uma reitoria agroindustrial? Para que concentrar na Capital tamanha estrutura administrativa, correndo o risco de se criar um elefante branco com reitorias concorrentes, perante a necessidade descentralizadora do ensino tecnológico? A distorção foi gerada no momento em que o secretário de Educação Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), professor Eliezer Pacheco, diante da discordância entre os municípios, e por desconhecer a realidade da produção industrial e tecnológica do Sudoeste Goiano, propôs que a divergência fosse resolvida por voto majoritário entre as diretorias das unidades já existentes. Claro, a unidade de Rio Verde perdeu, vez que os outros municípios votaram em bloco.
O próprio secretário Eliezer Pacheco escreveu no artigo “Os Ifets e o projeto nacional” que “(...) os Ifets necessitarão estar intimamente sintonizados às demandas sociais-econômicas-culturais locais e regionais”. Mais à frente, o professor diz que “os Ifets, ao identificar as demandas regionais e apontar políticas para as mesmas a partir de uma perspectiva educativa, darão uma enorme contribuição para o enfrentamento das desigualdades sociais e demarcarão uma trajetória distante do academicismo e do corporativismo”. Está claro que o próprio MEC concorda com a instalação descentralizada do Ifet Agroindustrial, mas por desconhecer a realidade produtiva e demográfica do sudoeste goiano, ignora a reivindicação. Mas ainda está em tempo de evitar este erro.