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A crise de alimentos também me atinge

12 de Maio de 2008 às 10:41
A crise mundial de alimentos, a necessidade de uma política específica para o setor. Os reflexos na mesa do brasileiro. Este foi o tema de artigo do deputado Padre Ferreira (PSDB), publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 12.05.2008.

* Padre Ferreira é deputado estadual e líder do PSDB na Assembléia Legislativa.

A queda-de-braço entre agricultores, Organização das Nações Unidas (ONU) e governantes das principais potências mundiais ainda não apontou caminho para solucionar a crise dos alimentos, já anunciada desde o ano passado. Parece que todos têm razão, mas enquanto isso milhões de pessoas ao redor do globo já passam fome porque não conseguem comprar alimentos. E a situação pode piorar caso nossos dirigentes não se atentem para isso.

Recentemente, talvez no auge do desespero, a ONU chegou a culpar o Brasil pela crise, uma que vez que somos o maior produtor de etanol do mundo a partir da cana-de-açúcar. Este fato, segundo a ONU, prejudicaria o consumo dos pobres, culpando a produção de cana pela escassez de alimentos. No entanto, a entidade logo retificou e disse que o problema era a produção de etanol a partir do milho, principalmente o produzido nos Estados Unidos e Europa.

Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil deve ter este ano produção recorde de etanol. O reflexo já é sentido nos postos de combustíveis, onde o litro de álcool já caiu mais de 20% este ano. A notícia é para se comemorar, pois os produtores ganham, uma vez que vendem mais; o consumidor também, porque compra por menos.

E porque o País, tão extenso territorialmente, com terras tão férteis, com chuvas e luminosidade abundantes não bate recordes em outras culturas? Uma questão de preço e incentivo. O agricultor, bem como o comerciante, industrial e outros profissionais, precisa de estímulo para continuar produzindo. Ninguém trabalha pelo prejuízo. E o etanol, hoje, ao lado do trigo (que também bateu recorde de produção, diga-se de passagem), possui uma certeza maior de lucro na hora da colheita.

O que o Governo federal precisa fazer, todos já sabemos: é incentivar o plantio de alimentos. Acreditar neste setor como em nenhum outro. Garantir crédito e um preço mínimo para a soja, o arroz, o feijão, o milho etc., com um seguro rural que garanta ao produtor uma indenização, caso tenha prejuízo. O Brasil tem espaço de sobra e terra com qualidade para plantar e colher de tudo, principalmente alimentos, sem nenhum prejuízo para a produção de etanol. Precisa-se apenas de uma política agrícola que mantenha o homem no campo e lhe dê condições para que ele continue plantando aquilo que o mundo espera em sua mesa.

Poderíamos, tranqüilamente, ser o celeiro do mundo. Temos todo o potencial para isso. Um exemplo é a produção de arroz. O brasileiro adora arroz, come todo dia, mas, até hoje, o País não é auto-suficiente na produção. Importa boa parte de todo o consumo. E isso não é de hoje. Ocorre há décadas. E a cada dia está ficando mais difícil para os mais humildes ter sobre o fogão um alimento tão tradicional.

É preciso encontrar um caminho para aumentar de maneira urgente as áreas de plantio no País, preservando o meio ambiente e, acima de tudo, preservando a vida de milhões de seres humanos. E é preciso agir rápido, pois só em deixarmos de importar determinados alimentos, já vamos contribuir para reduzir a fome no mundo e os preços dos alimentos.

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