Reforma Agrária
"A reforma agrária é o maior programa de inclusão social no País. É preciso enraizar as discussões na sociedade e engajar as instituições nesse movimento", declarou.
Superintendente Regional do Incra em Goiás, Rogério Arantes afirma que o foco da sua regional é potencializar o processo de reforma agrária no Estado. De acordo com ele, o Fórum Institucional da Reforma Agrária em Goiás, realizado na manhã desta quinta-feira, em Goiânia, teve o objetivo de organizar parcerias para viabilizar a reforma agrária em Goiás.
"A identificação de parceiros é fundamental nesse momento. Muitos deles estão esquecidos", afirmou. Conforme explica, vários entes da administração pública, como as secretarias de Ciência e Tecnologia, da Cidadania e o Banco do Brasil, estão engajados em interagir para otimizar recursos visando a reforma.
O superintendente esclarece ainda que o Incra vai receber a pauta de reivindicação de movimentos e entidades participantes da audiência e apresentar os avanços serão possibilitados com o apoio dos novos parceiros.
O representante dos trabalhadores do Incra, Manoel Reis, diz que o instituto é de fundamental importância para a reforma agrária, e colocou os trabalhadores do órgão à disposição para debater com os movimentos sociais. “Servidores do Incra são bons profissionais, que apóiam a reforma agrária, mas que esbarram no grave problema de estrutura do instituto” afirma.
Críticas
Convidado a participar da audiência o deputado federal João Campos (PSDB), criticou a política de reforma agrária do Governo Lula (PT). Para ele, o avanço mais significativo da reforma agrária no Brasil foi a criação do Ministério da Reforma Agrária, na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sinalizando o compromisso do Governo brasileiro com uma política pública de reforma agrária.
“Todavia, o que Lula está fazendo fica aquém da expectativa da sociedade, visto que o que tem sido feito é muito mais por pressão dos segmentos sociais organizados do que por iniciativa do Governo”, conclui.
Representante do Movimento de Volta do Trabalhador ao Campo (MVTC), Vitor afirmou que os movimentos sociais do Estado estão com suas atuações apagadas perante a sociedade. “Os movimentos sociais têm que focalizar suas atitudes na tentativa de contagiar a sociedade para evitar o descaso e o descrédito da população” complementou.
Membro da Fetraf, Gerailton Ferreira dos Santos apóia as idéias apresentadas pelo MST e pela MTL, exemplificando a dificuldade que os movimentos pró reforma agrária têm ao precisar de ajuda de órgãos do poder.
Inflação
Representante do MTL, Zelito Ferreira da Silva condenou afirmações irônicas de que o aumento dos preços do alimento se deve ao fato de que as pessoas estão comendo mais. “A reforma agrária está sendo feita a sangue, suor e lágrimas, e mesmo assim o Governo não percebe que não é por questão ideológica e sim por necessidade. Existe a bancada agrária no Senado, mas não existe bancada de reforma” afirma.
Zelito Ferreira critica ainda a demora de institutos como o Incra, o Ibama e outros, para liberarem licença para desmatamento, apropriação de terras e outros tramites da lei, o que dificulta ainda mais o trabalho dos movimentos sociais. “São cerca de dois a três anos só de burocracia e dificuldade para que o recurso de posse da terra saia” conclui.