Crise de confiabilidade
O Brasil vive em constantes crises. Vivemos sempre sob ameaças de crises econômicas mundiais. Crises no campo. Crise, ou melhor, caos no sistema de saúde brasileiro, entre outras crises que poderíamos mencionar neste espaço a mim reservado.
Entretanto, há uma crise contínua em nosso País que me preocupa muito. A crise da confiabilidade. O brasileiro não confia nas instituições criadas para servi-lo, e, este rombo de confiabilidade pode perseguir e destruir a nossa jovem democracia.
Não é novidade para ninguém que a classe política, sobretudo a detentora de cargos públicos, possui minúsculos índices de confiabilidade da população. Constantes escândalos, notícias que ultrapassam as páginas políticas e vão diretamente para as páginas policiais dos grandes jornais, só servem para que a população confie menos nos políticos.
A polícia, outra instituição que deveria ter de nós grande respeito e confiança, devido a poucos e mal-intencionados, tem perdido a credibilidade diante da população. Filmes como o celebrado Tropa de Elite demonstram uma polícia que não mede esforços no combate à criminalidade, utilizando muita violência e às vezes meios ilícitos para enriquecer.
Uma das poucas instituições que ainda não haviam sofrido arranhões diante da opinião pública era o Exército Brasileiro. Isto era passado. Um incidente envolvendo onze militares no Rio de Janeiro levou a população brasileira incluir o seu Exército na crise de confiabilidade que nos aflige.
Estes onze militares são acusados de levar a força três moradores do Morro da Providência, onde o Exército mantém uma base e um projeto social, para o Morro da Mineira, onde foram mortos por traficantes rivais.
As últimas notícias que temos é que um juiz da segunda auditoria da Justiça Militar havia decretado a prisão preventiva de quatro envolvidos nas mortes destes três jovens, entre eles o tenente Vinicius Ghidetti de Moraes Andrade, que teria confessado o crime, um sargento e dois soldados. Eles já estão presos no Batalhão da Polícia do Exército na Tijuca, no Rio de Janeiro.
Há de pesar o fato de que estes três rapazes eram traficantes do Morro da Providência e que só foram mortos porque faziam parte de uma facção criminosa rival, entretanto os soldados deveriam tê-los sob custódia e chamar a polícia do Estado do Rio de Janeiro, os entregando para responderem por seus atos.
Ao contrário disto, os militares os aprisionaram e os levaram à força ao morro comandado pela facção rival. Estranhamente os soldados entraram armados no Morro da Mineira sem serem hostilizados.
Estas notícias só servem para arranhar a imagem do Exército brasileiro, o qual foi chamado para estar sempre atento em defesa da soberania brasileira, e não fabricando tijolos, construindo pontes ou asfaltando rodovias. O Exército não serve para policiar ruas. Fugindo de sua função, o Exército corre o risco de cometer atrocidades contra a população que deveria proteger.
O pedido de desculpas do ministro Jobim suou como um deboche. Como se poucas palavras pudessem consolar uma mãe que perdeu o filho ou uma nação que cada vez mais se sente desprotegida.
O Brasil precisa urgentemente repensar a verdadeira função do Exército. O Brasil precisa urgentemente criar dispositivos e fortalecer as polícias para que de uma vez por todas resolva o nosso maior câncer social, que é a falta de segurança pública.
É preciso urgentemente recuperar a confiabilidade dos brasileiros nas suas Forças Armadas, em seus políticos, em seus policiais, para que juntos possamos experimentar um Estado justo, verdadeiramente democrático e um Estado de direito.
Sou pelo fim da crise de confiabilidade.