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O populismo e os novos ônibus de Goiânia

07 de Julho de 2008 às 16:02
A aquisição de novos ônibus para o transporte coletivo de Goiânia não resolve o problema do setor. É o que argumenta, em artigo, o deputado Daniel Goulart (PSDB) em artigo publicado no jornal Diário da Manhã. (02.07.2008).

* Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano.

Na última sexta-feira, dia 23 de junho, o Centro de Goiânia literalmente parou para receber os novos ônibus que irão se incorporar à frota do transporte coletivo da Capital. Foguetório, distribuição de brindes e discursos sobre os benefícios ao povo deram um tom populista à cerimônia. Porém, há um detalhe importante nesta “festa”promovida pelo poder público. Os novos veículos mostrados com tanta pompa aos presentes no evento (leia-se, autoridades e imprensa) foram adquiridos pelas empresas concessionárias do transporte coletivo. E não foram comprados por bondade dos empresários. Essa aquisição faz parte do compromisso firmado no processo de licitação. Esses veículos são, portanto, particulares. Aos olhos dos menos avisados pode parecer benfeitoria da gestão municipal. Ações desse tipo são popularmente chamadas de “cortesia com chapéu alheio”.

Na última campanha eleitoral para a prefeitura, o atual prefeito assumiu o compromisso de resolver o problema do caótico transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia em seis meses. Três anos e meio depois, o usuário continua sofrendo com o descaso. Estamos novamente entrando nesse processo eleitoral. E, em vista disso, é inadmissível que se tire proveito político de uma situação que interfere tanto na vida do povo como o transporte coletivo. Não seria o caso de propaganda eleitoral extemporânea?

A solução para o transporte público não passa apenas pela compra de novos ônibus e o aumento da frota. O município de Goiânia sofre com problemas de gestão nesta área. Aracaju, capital de Sergipe, é uma cidade menor que a nossa e será contemplada com o metrô. E por que a população goianiense ainda não goza de semelhante benefício? É lamentável ouvir declarações de algumas autoridades criticando projetos de implantação desse sistema aqui na Capital.

A escolha errada da Praça Cívica como palco da entrega da nova frota é um capítulo à parte. Naquela manhã, o já tumultuado trânsito do local se transformou num verdadeiro caos. A confusão começou pelo isolamento do anel interno da praça, onde alguns ônibus dessa nova frota foram expostos. Se a intenção era mostrar a novidade aos usuários do transporte, o intento falhou. Quem passou por ali ficou revoltado com o que viu. A confusão reverberou até o final da Avenida T-7, já próximo ao Jardim América.

Questionado pela imprensa sobre o local inadequado para o evento, o prefeito alegou que “a praça é do povo” e é “o palco de muitos acontecimentos importantes da História de Goiânia”. Uma declaração que ignorou completamente o que ocorria do lado de fora. É obrigação de uma autoridade pública evitar transtornos desnecessários à população e não promovê-los.

Quero deixar claro que não sou contra a renovação da frota do transporte coletivo. Só não acredito que essa medida resolverá o problema de quem depende deste meio para se locomover. Não concordo e não consigo aceitar que em uma capital como Goiânia algumas autoridades se valham do poder que têm para usar da boa-fé da população com práticas populistas. Já passou da hora de alguns gestores reciclarem o seu discurso e suas ações.



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