Mauro Rubem reitera posicionamento contrário a possível privatização da Saneago
O deputado Mauro Rubem (PT) abriu os discursos do Pequeno Expediente, da sessão ordinária híbrida desta quinta-feira, 26, para reiterar sua indignação com a possibilidade de privatização da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago). Dando prosseguimento ao debate iniciado durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) sobre o assunto, o parlamentar voltou a defender a importância da manutenção do patrimônio público goiano, e criticou o argumento do Governo de que a medida visa a efetivar uma parceria público-privada (PPP) para acelerar a universalização da rede esgoto no Estado.
“Nossa atuação é marcada pela defesa das empresas públicas. É relevante, portanto, rememorarmos o que ocorreu com a Celg, uma empresa outrora pioneira e eficiente. Contudo, observamos hoje a situação precária em que se encontra”, observou o petista.
Mauro disse também não concordar com a justificativa dada pelo governador Ronaldo Caiado (PSD), quanto à afirmação de que os problemas de distribuição energética seriam estruturais no Brasil e não apenas pontuais do Estado de Goiás. Ele afirma que, embora haja uma deficiência em nível nacional, que estaria sendo, inclusive, corrigida com investimentos do Governo Federal, a Equatorial tem sua parcela de responsabilidade, o que se reflete na sua rebaixada posição nos rankings de fornecimento energético do país.
“Estamos vendo os resultados da privatização da energia. A privatização, promovida por diversos governos, alinhados com a mesma ideologia de direita, que visam a apropriar-se do patrimônio público para beneficiar seus apoiadores, resultou em um bom negócio para quem compra, mas em um péssimo negócio para o povo goiano, como se viu na venda da Celg. Pergunto, então: podemos esperar um desfecho diferente para a Saneago? Evidentemente, não”, concluiu Rubem.
O legislador destacou o fato da Saneago ser atualmente uma empresa superavitária, com eficiência na prestação dos serviços e ampla cobertura nas maiores cidades do Estado. “Este superávit possibilita o atendimento às pequenas comunidades e municípios com menos recursos, por meio do que se convencionou chamar de subsídio cruzado. Uma empresa privada, com foco em interesses comerciais e lucrativos, manteria essa prática? Acredito que não.”
O parlamentar seguiu declarando apoio à frente suprapartidária que defende a Saneago, liderada por sindicalistas e entidades. “Chamo a atenção da população para a gravidade da situação em discussão. Estamos diante de uma negociação que envolve um direito humano fundamental: o acesso à água. É importante ressaltar que a água não é distribuída gratuitamente, mas por meio de um sistema sustentável, com a expansão da rede e a preparação para o atendimento. A eficiência e os lucros obtidos em algumas cidades permitem a justa remuneração dos trabalhadores, que realizam um trabalho sério e especializado, impactando positivamente o comércio e a economia local”, diagnosticou.
Mauro Rubem também manifestou preocupação com a possível transferência de divisas públicas para empresas privadas, incluindo as de outros estados ou países. “Vimos isso acontecer recentemente com a Enel, que transferiu lucros da energia elétrica para a Itália. As parcerias público-privadas (PPPs) representam, na prática, privatização, e o povo necessita de água sustentável e do controle estatal”, finalizou.