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Servidores estaduais demitidos podem ser anistiados por lei

27 de Agosto de 2008 às 16:20
Projeto de Emenda Constitucional que dá novo texto à Constituição goiana prevê anistia a servidores públicos estaduais demitidos por motivação política. Ex-servidores da extinta Caixego podem ser beneficiados. O presidente Jardel Sebba (PSDB) entregou a proposta, elaborada com base em relatório de Fábio Sousa.

Caso seja aprovada, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que revisa a Constituição goiana garantirá anistia para servidores públicos estaduais que foram demitidos por perseguições políticas.

A concessão vale também para os empregados da Administração Pública Estadual direta, autárquica e fundacional, bem como aos empregados de empresas públicas e sociedades de economia mista sob controle do Estado, que, a partir da promulgação da Constituição Estadual, de 1989, tenham sido punidos ou demitidos em decorrência de motivação exclusivamente política.

A emenda, apresentada ontem pelo presidente Jardel Sebba (PSDB), abre caminho para que os funcionários da extinta Caixego sejam reintegrados ao Estado.

A Procuradoria da Assembléia Legislativa apresentou na terça-feira um balanço das mudanças que foram acatadas pela Comissão de Adequação Constitucional na elaboração do anteprojeto que revisa a Constituição goiana.

Transformada em Projeto de Emenda Constitucional (PEC) pela Mesa Diretora, a proposta de adequação foi lida dia 26, na sessão ordinária e segue agora para a Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Na CCJ, o projeto cumprirá o prazo de dez sessões ordinárias antes de ser votado. Nesse período, os deputados poderão apresentar novas emendas.

No que se refere a números, o conteúdo altera aproximadamente 110 artigos, revoga 62 dispositivos e acrescenta sete novos artigos ao texto goiano.

Principais mudanças

Além da emenda que concede anistia ao funcionalismo público, o procurador da Assembléia, Murilo Teixeira Costa, selecionou ainda alterações importantes apresentadas no PEC da Adequação pela Mesa Diretora:

- previsão da possibilidade do Governador do Estado editar decreto autônomo, ou seja, o decreto que inaugura a ordem jurídica independentemente da participação do Legislativo, a exemplo do que ocorre no plano federal;

- adequação à reforma do Judiciário, que teve a finalidade de dar mais agilidade e eficiência à prestação jurisdicional, que consiste, por exemplo, em prever que as comarcas de entrância final deverão funcionar em dois expedientes, tanto nas funções judicantes quanto nas funções auxiliares;

- garantia de autonomia funcional, administrativa e orçamentária para a Defensoria Pública e possibilidade de propor ação direta de inconstitucionalidade no âmbito do Tribunal de Justiça em relação a leis e atos normativos estaduais;

- adequação das alterações sobre imunidade parlamentar promovidas pela Constituição da República, em relação aos deputados federais, cuja disciplina deve ser aplicada aos deputados estaduais. Consiste em prever que o Poder Judiciário tem autonomia para dar início aos processos criminais contra parlamentares, sendo permitida a Assembléia Legislativa, por iniciativa de partido político nela representado, sustar o andamento da ação penal, ficando suspensa também a prescrição enquanto durar o mandato;

- alteração do período das sessões legislativas e do recesso parlamentar. A Assembléia passa a se reunir de 2 de fevereiro a 30 de junho e de 1º de agosto a 22 de dezembro;

- revogação do artigo 72 que trata sobre o período de funcionamento da sessão legislativa das câmaras municipais, tendo em vista que tal matéria deve ser tratada na lei orgânica de cada município e não na Constituição Estadual, conforme já definiu o Supremo Tribunal Federal;

- normatização da eleição de prefeito e vice-prefeito no caso de vacância de tais cargos, conforme previsão do artigo 81 da Constituição Federal. Com a vacância de cargos será realizada eleição noventa dias depois de aberta a última vaga. Caso a vacância ocorra nos dois últimos anos do período de governo, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois de aberta a última vaga, pela Câmara Municipal;

- adequação do instituto da intervenção estadual nos municípios, possibilitando, inclusive, a participação da Câmara Municipal no pedido de intervenção nos casos admitidos pela Constituição Federal, ao invés do Tribunal de Contas dos Municípios;

- previsão de prazo para o governador enviar os projetos de leis orçamentárias ao Legislativo. A atual Constituição Estadual é omissa quanto a este prazo em relação à Lei Orçamentária Anual (LOA) e ao Plano Plurianual (PPA). No anteprojeto, foi estabelecido que o PPA deve ser enviado até 31 de agosto, salvo no caso de reeleição, quando o prazo de envio esgotará em 30 de abril. A LDO deve ser enviada até 30 de abril e a LOA até 30 de setembro;

- eliminação de vários dispositivos da Constituição Estadual que foram declarados inconstitucionais, em controle concentrado, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além da supressão de inconstitucionalidades claras, não levadas à apreciação do STF e Tribunal de Justiça.
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