COP 15: o futuro é agora
Esperança: esta foi a palavra de ordem na abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15) e a expectativa é de que a intenção de unidade permaneça até a próxima semana, no encerramento dos trabalhos. Como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa, anseio pelo consenso que possa direcionar todos os países rumo ao desenvolvimento sustentável. E se depender da intenção dos políticos presentes, estamos perto de uma solução.
O problema é que tratados internacionais tão amplos e complexos quanto este que está sendo desenhado na COP 15 são difíceis. Em jogo, estão as políticas econômicas e culturais de cada um dos membros participantes. Sem contar as empresas que, por baixo dos panos, financiam campanhas dos envolvidos. Esta é a parte triste e não contada da história.
E isso não vai mudar até que haja uma real conscientização do perigo que o Planeta corre se o desenvolvimento humano continuar a se expandir na mesma progressão em que o fez até hoje. Ao menos em tese, os líderes parecem mais comprometidos em discutir o tema com seriedade. Logo na abertura, o primeiro-ministro dinamarquês Lars Rasmussen disse a frase que deve ficar para a história pelo seu caráter simbólico: “Um acordo está a nosso alcance. É uma oportunidade que o mundo não pode perder”.
É preocupante ainda que, com todos pensando e ansiando por estratégias de desenvolvimento sustentável aplicadas pelo mundo, alguns possam tentar colocar a discussão por água abaixo. A minha indignação vem de uma reportagem da revista Veja desta semana que procura destruir a imagem de cientistas e estudos sérios a respeito do clima. A reportagem intitulada Copenhague: a busca de um acordo realista procura falhas em pesquisas para afirmar que os defensores do meio ambiente são apocalípticos e usam o terror para convencer a todos.
Mas os fenômenos climáticos estão modificando as paisagens drasticamente e com força catastrófica. Além disso, mesmo que todo o ecossistema não esteja entrando em colapso, isso não é desculpa para continuarmos tratando o lixo e a utilização de energias não-renováveis de forma irresponsável.
As discussões que começaram na COP15 mostram que não é hora para demagogia, não é tempo de apontar culpados ou virar as costas. Os fatos mostram antes de tudo que uma atitude séria e fundamentada precisa ser tomada. E o desafio está em nossas mãos.