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José Nelto apresenta denúncias de superfaturamento de contratos com Celg

14 de Dezembro de 2009 às 19:11

Integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o endividamento da Celg, o deputado José Nelto (PMDB) entregou ao relator da CPI, deputado Humberto Aidar (PT), cópias de contratos que comprovariam irregularidades cometidas durante os Governos do PMDB e do PSDB. O encontro entre os dois parlamentares aconteceu na tarde desta segunda-feira, 14, no auditório Solon Amaral, com a presença da imprensa.

As denúncias de José Nelto envolvem três contratos celebrados entre a Celg e as empresas Interbrasil, Evoluti e uma advogada que prestou assessoria jurídica à empresa de energia numa ação trabalhista. Segundo José Nelto, a Celg pagou à Interbrasil, de forma irregular, a quantia de R$ 1,123 milhão como parcelas de um total de R$ 12,979 milhões que a estatal teria de pagar por um seguro celebrado em 2004, portanto, no Governo de Marconi Perillo, para cobrir uma liminar que pedia a redução do preço de energia paga pela Celg.

O seguro foi uma exigência da Justiça para acatar a tramitação da liminar proposta pelo advogado Adilson Ramos. José Nelto explicou que a princípio, a liminar foi acatada, mas seis meses depois foi derrubada e a estatal foi obrigada a pagar a diferença para a empresa geradora de energia com juros e correção monetária. Segundo José Nelto, a companhia energética tomou outro prejuízo nesse contrato com o advogado, pois teve de pagar também R$ 18 milhões de honorários.

O deputado pemedebista mostrou também cópia de contrato firmado pela Celg com a advogada Eliane Oliveira Rabelo, que hoje assina Eliane Platon, no valor de R$ 176 mil atualizados, com validade entre os anos de 1991 e 1993, no Governo de Íris Rezende. Eliane foi contratada para defender a Celg numa ação trabalhista referente a reajustes salariais da URV, mas não teve êxito por perder o prazo. “Foi a única empresa energética do Brasil que perdeu o reajuste da URV na justiça”, explica José Nelto.   

Quanto à Evoluti, a denúncia é de que esta empresa presta para a Celg serviços superfaturados de medição de consumo. “A empresa presta o mesmo serviço à Saneago e cobra a metade do preço”, comenta o deputado. Cópia de uma auditoria executada por auditores da companhia energética mostra que a empresa paga por este serviço R$ 243 mil a mais do que os preços de mercado, o que representa um prejuízo de R$ 3.388 mil até o final do contrato. José Nelto informou ainda que, na próxima semana, vai apresentar provas que outro contrato entre a Evoluti e a Celg, atualmente em vigor, traz prejuízos de R$ 4,5 milhões para a estatal.

Para o deputado pemedebista, as irregularidades que causaram prejuízos à Celg a partir da década de 80 são de responsabilidade maior dos diretores da empresa. “Nenhum governador tinha ciência de que isto estava acontecendo porque se tivesse, certamente demitiria esses diretores”, afirmou.

Ao receber os documentos, o deputado Humberto Aidar afirmou que iria tomar as devidas providências, como convocar os nomes envolvidos para interrogatório e promover as devidas investigações sobre as denúncias. Entre outros pontos, o deputado Humberto Aidar frisou que a negociação com a Interbrasil seria um contrato de risco, que isentaria a Celg de pagar qualquer quantia a esta empresa caso perdesse a liminar.



   





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