Apelo aos homens de bom senso da base aliada
Nunca é tarde para que o bom senso prevaleça. O fim de ano, com as festas do Natal e do Ano Novo, promove naturalmente uma trégua na política, que depois acaba sendo esticada pelas férias do mês de janeiro. Chega fevereiro, vem o Carnaval, e aí efetivamente começa o ano. E acho que ainda podemos tomar providências para que comece bem para a nossa base aliada.
O bom senso é a virtude dos responsáveis e dos equilibrados. E também dos desprendidos. Em 1998, em 2002 e em 2006, construímos a duras penas uma base aliada que revolucionou o cenário político de Goiás. Até então, jogava-se um jogo de resultado previsível. O dono da bola era um só e se chamava Iris Rezende. Mas nós nos unimos, elegemos Marconi Perillo e viramos a mais espetacular página da história do nosso Estado.
O próximo desafio que se coloca para essa base é 2010. Poderia ser uma travessia tranqüila, sem sobressaltos. Mas deixou de ser assim não por ação dos nossos adversários, mas pelos desentendimentos que grassaram dentro do nosso próprio meio. Não quero e não vou discutir aqui a origem dessas divergências. Afirmo, porém, que todas são equivocadas e sem sentido. Ningem pode negar que somos todos irmãos – PSDB, DEM, PP, PR, PSDB, PPS e os demais partidos aliados. Juntos, nós podemos tudo. Separados, corremos o risco de uma derrota que será igualmente prejudicial para todos nós.
A minha proposta vai no sentido de que devemos tentar todos os esforços para recompor a nossa base. Percorro o Estado inteiro, a cada semana, e sinto que os nossos companheiros, nos municípios, estão ansiosos e em certos casos até aflitos para nos ver no mesmo palanque, falando a mesma língua., defendendo os mesmos ideais. Durante 16 anos, até 1998, eles companheiros oram massacrados politicamente e é normal que não queiram voltar aos tempos do tacão de ferro. E nós não temos o direito de decepcioná-los.
As três saraivadas de palmas que valorizaram o discurso do deputado federal Roberto Balestra, no encontro do PP em Piracanjuba, indicam com clareza o rumo a seguir. Em um ambiente que poderia lhe ser hostil, Balestra fez um corajoso chamamento ao bom senso que teve intensa repercussão em todo o Estado. E foi corajoso porque estava iluminado pela sabedoria acumulada ao longo da sua carreira política, que hoje funciona como uma bússola apontando para os riscos de um desastre logo ali na frente.
A moderação das palavras do governador Alcides Rodrigues também precisa ser interpretada como uma demonstração do seu espírito de estadista e de compromisso com as bases reais que o elegeram em 2006. Sei que o governador tem as suas razões para reclamar disso ou daquilo, e faço questão de elogiar a sua postura de não endossar as frases duras que foram pronunciadas por Ronaldo Caiado, Sandro Mabel e Barbosa Neto no encontro do PP e também não foram aplaudidas. Alcides merece a consideração de todos da base aliada e com especial ênfase dos amigos do PSDB, que trabalharam com dedicação para a sua vitória e hoje apóiam o seu governo.
Alcides, a mim mesmo, disse há muito tempo que não seria o coveiro da base aliada. Acreditei e acredito na sua sinceridade. Agora chegou a hora de nos preparar para a grande caminhada que será iniciada após o Carnaval. Primeiro, desarmar os espíritos. Segundo, dialogar. Não conversei com o senador Marconi Perillo a respeito, mas tenho certeza de que ele não tem objeções a fazer e está pronto para conversar francamente com todas as nossas lideranças e em especial com Alcides. Marconi, asseguro, tem o espírito aberto. As pesquisas mostram que é ele o candidato que pode vencer em 2010, detendo a arrancada do PMDB de Iris, que, se vier a ganhar, correrá atrás de todos nós com um chicote nas mãos e o gosto de sangue na boca.
Marconi é humilde. Ele nunca disse que é candidato. E, se houver um nome melhor posicionado que o dele, não tenho dúvidas de que cederá a vaga com alegria e entusiasmo. O que não podemos é continuarmos envolvidos em querelas infantis, muitas patrocinadas, de ambos os lados, por quem ainda não comeu um saco de sal na nossa companhia e, portanto, não sabe onde o beliscão é mais doído. Vamos colocar a cabeça no lugar, todos nós, e vencer mais uma eleição.