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Os anjos não morrem

18 de Janeiro de 2010 às 09:12
Artigo do deputado Humberto Aidar (PT) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 18.01.2010.

* Humberto Aidar é deputado estadual (PT)


Ao longo da vida conhecemos e admiramos muitas pessoas de bom coração que acabam se tornando referência para nós e, por que não dizer, como ídolos. Algumas dessas pessoas possuem um carisma, uma força interior e uma generosidade tão grandes que a gente acaba acreditando que são verdadeiros anjos que Deus enviou à terra para nos proteger e orientar. Esses anjos não morrem. Tudo que construíram, com muito carinho e amor, permanece vivo e servindo de exemplo aos que ficam. Anjos, na verdade, são eternos. Vejam o caso do anjo Zilda Arns. Quem vai dizer que essa heroína brasileira morreu? Sua dedicação, seu trabalho e sua valiosa obra em defesa das crianças e da vida ainda estão por aí, a encantar e orgulhar uma nação e, por que não dizer, o mundo. Sua luz intensa, sua voz suave e o constante sorriso que mantinha no rosto jamais sairão de nossa memória, confirmando que realmente os anjos não morrem. O legado que doutora Zilda Arns deixou é tão grande e valoroso que fica por aqui, “vivinho da Silva”, num cantinho especial em nossos corações. Ficou para o Brasil uma inestimável herança de amor, cidadania e solidariedade.

O anjo Zilda Arns é um exemplo de brasileira. Uma mulher notável, forte, corajosa, uma abnegada que dedicou sua vida ao que temos de mais puro e nobre neste mundo, as crianças. Não é nenhum exagero dizer que os pequeninos carentes brasileiros começaram a ser notados e tratados com respeito e dignidade a partir da Pastoral da Criança, idealizada e concretizada graças ao trabalho deste anjo Zilda Arns. Esta grande obra se manterá viva em tantos e tantos anjos guerreiros que diariamente lutam arduamente para que as crianças tenham vida plena, digna e feliz. São donas de casa, mães, avós que sustentam filhos e netos, aposentadas, faveladas, trabalhadoras, mães solteiras que, com a mesma coragem de Zilda Arns, trabalham cotidianamente na construção de um mundo melhor.

Um terremoto em um dos países mais pobres do mundo levou nosso anjo para os braços de Deus. Tristeza? Sim, pois a ausência física desta notável brasileira é uma perda inestimável e deixa saudades. Zilda Arns ainda tinha muito a compartilhar conosco. O que nos conforta é ter a certeza de que até o último minuto de sua vida ela fez o que mais amava e acabou se transformando no maior motivo de sua existência, a luta por uma vida digna e feliz para todas as crianças. Para nós, que sempre admiramos e reconhecemos seu trabalho, a melhor forma de homenagear a guerreira Zilda Arns é seguir adiante com a obra que ela iniciou. É dar a todos os pequeninos a infância que eles têm direito e merecem, além de espalhar pelo mundo o legado que ela nos deixou. Aliás, foi lutando também pelas crianças do Haiti que Zilda Arns virou anjo, afinal, pessoas generosas, bondosas e abnegadas como ela não morrem. Os anjos não morrem.

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