2010, ano em defesa da paz e da vida
* Daniel Messac é deputado estadual (PSDB), filósofo e teólogo (dmessac@hotmail.com)
O gravíssimo problema social e urbano da violência e dos assassinatos na região metropolitana de Goiânia continua a desafiar as autoridades e os cidadãos de bem neste epílogo de 2009 e, não podemos chegar ao final do próximo ano neste mesmo cenário assustador. Como reverter esta preocupante situação? Não obstante os esforços empreendidos para combatê-la, a criminalidade vem apresentando dados alarmantes nos últimos anos. O ano de 2008 fechou com mais 420 assassinatos registrados, o que corresponde a uma morte por dia, além do que os crimes de furto e roubo de veículos cresceram 48,9%, somente na Capital. As estatísticas indicam que essa explosão de violência não foi debelada neste ano. Só no primeiro semestre, tivemos 207 casos de assassinato em Goiânia.
Quais são as razões para tanta violência? Em sua maioria, esses homicídios, que atingem até famílias inteiras, em atos de crueldade capazes de envergonhar até o Orrorin tugenensis – um dos mais antigos ancestrais do homem, que viveu há 6 milhões de anos – são motivados por acertos do tráfico de drogas ou mesmo por questões banais, como simples briga de trânsito e crise de ciúmes.
Infelizmente, a insegurança social e a ausência de punição justa dos criminosos, acabam por alimentar o comércio de entorpecentes, que arrasta cada vez mais crianças e adolescentes para o precipício. Motivados pelo fascínio da obtenção de dinheiro em pouco tempo por meio do tráfico, muitos perdem a própria vida em confrontos com a polícia ou em disputas territoriais com outras quadrilhas, como geralmente acontece com todo traficante.
Merece destaque e análise o fato de que a Organização Mundial de Saúde, órgão da ONU, estipulou que as cidades com índices acima de dez casos por grupo de cem mil habitantes vivem uma epidemia de assassinatos. E qual é a realidade de Goiânia hoje? Em nossa Capital, a taxa de homicídios já ultrapassa 32 mortes por 100 mil habitantes. Independentemente das causas, uma conclusão é certa: o bem mais precioso do universo, que é a vida, está sob séria e constante ameaça. E isto exige uma profunda reflexão, porque denota que a sociedade está à beira do abismo. Os valores cristãos e humanos estão sendo desprezados. Um mal que atinge sobretudo a juventude – 80% dos 420 homicídios ocorridos em Goiânia em 2008 tiveram como vítimas jovens entre 15 e 25 anos –, refém da falta de uma formação familiar e escolar decentes.
Neste momento em que os corações são tocados pelo espírito cristão que nos enche de amor e esperança pela celebração do nascimento de Jesus, o ano de 2010 deve ser pensado sob uma nova ótica. Todos nós devemos lutar para que essa situação seja invertida, estabelecendo por meio de políticas preventivas, comprovadas e eficazes, um ambiente de paz e de valorização da vida, durante todo o ano que se inicia. A sociedade inteira precisa reagir a esses descalabros para que a desordem e a barbárie não se instalem de vez.