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Temos uma política de prevenção às drogas?

18 de Janeiro de 2010 às 09:34
Artigo do deputado Daniel Messac (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 12.01.2010

* Daniel Messac é deputado estadual (PSDB), filósofo e teólogo (dmessac@hotmail.com)



O avanço do tráfico e suas consequências devastadoras, como o aumento de homicídios, criminalidade, violência sem precedentes e a destruição de numerosos lares, nos conduzem fatalmente à seguinte questão: será que temos de fato uma política pública eficaz de prevenção e repressão ao uso de entorpecentes?

O comparável cenário de guerra iraquiana estampado diariamente nos noticiários sobre a região metropolitana de Goiânia, tendo como motivo principal o tráfico de drogas, inevitavelmente, nos remete a esta pergunta. E, dentro deste raciocínio, será que uma parceria efetiva entre o Estado e as instituições cristãs, que detêm largo conhecimento e experiência nesta área, não poderia servir de alicerce para uma verdadeira política pública de prevenção e combate à disseminação dos entorpecentes?

O alarme da crua realidade já está disparado, ecoando pelos quatro cantos. As estatísticas da Polícia Civil de Goiás não deixam dúvidas: a nossa sociedade virou refém do tráfico. Isto está carimbado na violência que campeia, amedrontando, sufocando, aterrorizando e enlutando as famílias. E a maior vítima é a juventude. São crianças e adolescentes, em quem depositamos as melhores esperanças de um mundo mais humano e menos desigual, cooptados, recrutados e praticamente adotados por perigosos traficantes.

Vidas tão jovens, precocemente desviadas do caminho do bem para as bocas de fumo. Meninos e meninas que têm as suas vidas invadidas e conduzidas pelas mãos do tráfico aos porões mais profundos, que se assemelham aos calabouços do período mais obscuro do Brasil colônia, onde escravos ficavam trancafiados, sem água, nem comida. Que futuro podemos imaginar para o jovem dependente químico?

É impressionante o avanço acelerado do consumo abusivo de entorpecentes entre os adolescentes. E o resultado se evidencia nas estatísticas de homicídios: mais de duas dezenas de menores foram assassinados apenas no ano passado. De modo geral, a droga está na raiz de praticamente todos os atos infracionais cometidos por adolescentes. E a disseminação do crack – droga mais comercializada atualmente em Goiás – é o fator que mais tem elevado a participação do jovem do mundo do crime, sobretudo cumprindo ordens de traficantes.

A própria entrada do crack como droga circulante em Goiás, que está virando uma espécie de epidemia, está intimamente ligada ao aumento da criminalidade e da prostituição entre os jovens, com o fim de financiar o vício. Esta é uma questão de enorme gravidade, que exige uma postura muito séria e ágil das autoridades competentes. Isto porque se trata de uma droga muito impura, fumada em cachimbos, que chega muito rápido à corrente sanguínea. O crack tem alto poder de dependência em pouquíssimo tempo de uso e contundente potencial de dano à saúde mental e geral do usuário. O usuário de crack torna-se completamente dependente da droga em pouco tempo. Após o uso, ele passa a se tornar extremamente violento e agressivo contra a sociedade em geral e até mesmo contra a sua própria família.

E o traficante? Com ele nada acontece. Especialista em driblar a legislação para ficar impune, ele geralmente força o menor a assumir a autoria dos crimes para se livrar das penas rígidas, que variam de seis a 30 anos de reclusão, enquanto a lei brasileira determina medida socioeducativa de, no máximo, três anos ao jovem infrator.

Uma política pública de prevenção e repressão ao uso de entorpecentes deveria também equacionar outra questão flagrante: a grande maioria das famílias de dependentes químicos em Goiás não tem condições financeiras de custear tratamentos em clínicas particulares. Ficam, portanto, à merce do tratamento público de saúde, que praticamente não existe.

São famílias desesperadas, que clamam por socorro, e só encontram mesmo a assistência prestada por instituições cristãs, administradas por voluntários, altruístas e abnegados, que dedicam todo ou parte de seu tempo para tratar, recuperar e reinserir na sociedade os dependentes químicos de origem mais humilde. Porém, comparativamente ao benefício que propiciam à sociedade, muito pouco ou quase nada recebem de ajuda governamental, o que deveria passar a ser tratado como uma prioridade por todos os governos, sem distinção.

Precisamos repensar também o papel da família. Não é ela a principal responsável pela educação primária da criança? Quando os pais não têm tempo para conversar com os filhos, o que acontece? Eles vão buscar esse diálogo nas ruas, muitas vezes com desconhecidos, que lhes abrem as portas para o mundo das drogas. Uma família desestruturada fragiliza o jovem em sua formação moral. Isso cria um ambiente favorável ao seu envolvimento com as drogas e, por conseguinte, com a criminalidade e a violência.

 

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