Educação e o desafio de mudar
No relatório Alcançando os marginalizados, divulgado nos últimos dias pela Unesco, o Brasil aparece como país com o maior número de crianças fora da escola na América Latina e no Caribe. O País também teve os piores índices de repetência na escola primária. Os números provam que passou da hora da educação enfrentar o desafio de mudar.
Temos de transformar a educação. O desafio se torna muito difícil quando entendemos que o que tenta nos impedir é o status quo. Não faltam soluções. Falta coragem. Somos barrados pelo medo e insegurança de pessoas que temem alterar uma ineficiente – porém confortável – rotina.
De imediato, é preciso uma nova visão para que a educação seja vista como um importante bem público que moldará o futuro de todos nós. Precisamos de uma grande coalizão formada por professores, diretores de escolas, família dos estudantes, líderes políticos e comunitários. E também por alunos que sejam encarados como colaboradores desta mudança, e não como simples elementos a serem transformados.
Esta tão importante coalizão deve trabalhar sempre em busca de melhores resultados. Deve ter foco no agir, ter comprometimento com a ação, ter senso de urgência para que estes resultados cheguem rápidos. Mesmo com visão de longo prazo, está mais do que comprovado o potencial das reformas educacionais na entrega de resultados a cada dia.
O sucesso de um sistema educacional depende do que acontece nas salas de aula. Depende também da habilidade, do conhecimento, da dedicação de professores e da capacidade de prepararem os alunos para a vida, o trabalho e para serem cidadãos – no sentido literal da palavra – do século 21. Também precisamos trabalhar forçados pela pressão de metas educacionais. Para isto é mais do que relevante que os dados de cada escola e de todo o sistema educacional sejam apresentados de forma muito transparente a toda sociedade. É necessário intervir nas escolas que não estão atingindo os objetivos traçados.
Para promovermos toda esta transformação é fundamental a motivação de líderes educacionais que atuem dentro da escola e que sejam movidos pelo espírito de mudança e com foco em resultados para cada aluno. Precisamos de professores e diretores que sejam capazes de enfrentar este desafio. A mudança em nosso sistema educacional passa também pela abertura de espaço para novos agentes da mudança, que trabalhem por esta nova visão a ser defendida.
A má educação é um dos maiores gargalos que temos para o nosso desenvolvimento social e econômico. Mudá-la é algo que não pode ser considerado causa de alguns, mas sim encarado como o grande desafio de todos.