A tragédia das águas de janeiro: alerta da natureza
* Padre Ferreira é deputado estadual pelo PSDB (www.padreferreira.com.br)
O ano de 2010 começou de maneira trágica para dezenas de famílias nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A chuva forte e sem trégua na virada de ano e primeiros dias de janeiro interromperam a festa e a alegria em centenas de residências. A água levou casas, barracos e vidas para debaixo da terra.
Os moradores das encostas foram os mais atingidos, principalmente por deslizamentos de terra e pedras. Segundo as últimas contas da Defesa Civil, cerca de 100 pessoas perderam a vida no começo de 2010 – data de celebração a qual pedimos sempre por um ano melhor.
Segundo meteorologistas, o verão no Brasil será mais chuvoso nas regiões Sul e Sudeste por causa do El Niño, fenômeno climático ocasionado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, e que continuará no período de janeiro a março.
Porém, a questão central não é o clima e sim como as autoridades lidam com o meio ambiente. No Rio de Janeiro, onde ocorreu o maior número de mortes neste início de ano – cerca de 70 – a maior parte das vítimas morava em encosta de morro, locais que a Defesa Civil já havia alertado para o perigo de deslizamentos.
Mesmo com o alerta, ninguém fez nada. As pessoas continuaram a ocupar, irregularmente, estes espaços – agora, após a tragédia, as famílias começam a ser transferidas para lugares seguros. No interior de São Paulo, cidades inteiras foram alagadas; pessoas desapareceram no leito do rio.
Mais recentemente, em Copenhague (Dinamarca), na conferência sobre o clima, líderes das principais potências mundiais se reuniram para discutir caminhos para combater o desmatamento, a poluição, o lixo. Após semanas de reuniões e bate-bocas, praticamente nada foi definido. Tudo como dantes, na terra de Abrantes.
E neste início de ano não é só o Brasil que sofre com o clima. Na Europa, num dos invernos mais frios da história, mais de 50 pessoas já morreram. Aeroportos e estradas foram fechados pela ação das nevascas. A natureza é implacável. As mesmas agressões que sofre, ela devolve. E na mesma moeda.
Apesar dos pesares, há tempo para reverter o processo de destruição do meio ambiente. E todos devem fazer sua parte. Se os governantes em nível mundial não se entendem, podemos começar o processo dentro de casa. Bastam medidas simples e, principalmente, muito respeito para tentar ajudar a natureza.
Economizar água e energia elétrica já são suficientes para fazer sua parte. Um dos grandes problemas do planeta será a falta de água potável no futuro. E esta falta será decorrente, além das agressões diárias ao meio ambiente, do mau uso que fazemos da água.
E respeitar a fauna e a flora. Obedecer as regras de não construir casas em encostas de morro, às margens dos rios; não desmatar, queimar, tentar diminuir a poluição atmosférica. Só assim vamos sofrer menos ação do clima. Por último, cobrar de nossas autoridades que façam do meio ambiente prioridade de governo e prioridade em suas ações.