Desaparecidos
O desaparecimento de seis jovens em Luziânia, cidade do interior de Goiás, provoca inquietação de deputados na Assembleia Legislativa. Os casos, que já são pauta da Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados, são motivo de preocupação do presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado estadual Coronel Queiroz, que esteve em Luziânia com comissão técnica e autoridades, como o senador Marconi Perillo e deputado Jardel Sebba (PT).
“Visitamos a Prefeitura da cidade, onde estavam seis senhoras dizendo mais sobre os desaparecimentos. Em seguida, estivemos na Polícia Civil local para acompanhar de perto os procedimentos das investigações”, disse Coronel Queiroz. De acordo com o deputado, a Polícia está divida em sete equipes. Seis delas estão destinadas a investigar cada desaparecimento. A última, é uma equipe independente que unirá todas as informações checadas pela Polícia.
Coronel Queiroz também rebateu a crítica feita pela vereadora de Luziânia, Cassiana Tormin (PT-GO), que disse que a Polícia local não tem recursos profissionais e estruturais de trabalho. A parlamentar municipal afirmou que a Polícia não tem os meios adequados para trabalhar e que existe um descontentamento muito grande não só com a Polícia Civil, mas com a Polícia Militar.
O deputado foi contudente ao rebater as críticas da vereadora. “Eu rebato profundamente a crítica, porque a Polícia Civil, assessorada pela Polícia Militar local está fazendo um ótimo trabalho. Chegar a uma conclusão é só uma questão de tempo, porque tenho absoluta certeza que a Polícia de Goiás descobrirá as causas”, afirmou o deputado.
Ajuda nas investigações
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, que tem como presidente o deputado Mauro Rubem (PT), está acompanhando o caso e apurando as informações juntamente com a Comissão de Direitos Humanos de Brasília, além do apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado Fábio Sousa (PSBD), que levanta a bandeira de combate à pedofilia em Goiás, afirma que, se ficar confirmado que os casos são de abuso contra os jovens, a briga será debatida na Assembleia.
“Vamos aguardar o resultado das investigações da Polícia. Se ficar confirmado que se trata de pedofilia, já compro a briga e trago a discussão para Plenário. Faremos o possível para que os casos não sejam simplesmente esquecidos”, disse o deputado. Fábio Sousa também revela o que se espera das investigações.
A Comissão de Direitos Humanos de Brasília confirmou participação nas investigações do caso de Luziânia, já que pode haver casos que estejam vinculados a Brasília e, segundo membros, uma fronteira pode atrapalhar a outra. A Comissão já enviou ofício ao promotor de Justiça de Luziânia solicitando o acompanhamento das investigações.
Hipóteses
A Polícia Civil abriu vários inquéritos para chegar à real causa dos desaparecimentos. Tráfico de órgãos e de drogas, bruxaria, pedofilia, queima de arquivo e trabalho escravo em fazenda são as vertentes que estão sendo analisadas.
“Esperamos um trabalho sério da Polícia Civil de Goiás, porque é um caso sério. São famílias que estão desoladas, que não sabem para onde seus filhos foram. A Polícia não pode descartar nenhuma hipótese. E mais, tem que ser uma investigação rápida”, ressaltou o deputado Fábio Sousa. Ainda há relato do desaparecimento de mais dois jovens no município de Alexânia, também em Goiás".
Desde 30 de dezembro, jovens com idades entre 13 e 17 anos desapareceram sem deixar rastros. O que complica o caso da Polícia Civil de Goiás, que investiga os desaparecimentos, é que os jovens não se conheciam e foram vistos pela última vez na área do Parque Estrela Dalva, setor próximo à entrada da cidade.