Nenhuma empresa dá certo com controle majoritário do Estado, diz Ênio Branco
O ex-presidente da Celg, Ênio Andrade Branco, disse em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga os últimos 25 anos da Companhia para definir as causas do seu endividamento, que um dos grandes problemas da Celg é o controle majoritária por parte do Estado. “Dentre as 64 maiores empresas do Brasil, não existe nenhuma em que o controlador tenha mais de 50%”, disse.
Ênio Branco afirma que sua missão, nos 23 meses que ficou à frente da Companhia Energética, era de implementar um novo modelo de gestão tornando a Celg mais competitiva, entrando no mercado com melhores valores. “Para o sucesso da empresa é importante que o gestor saiba entregar profissionais competentes em suas áreas. O profissional tem que saber o que é uma tarifa”, afirmou.
"O endividamento por si não é um problema. A Celg poderá se tornar a jóia da coroa em Goiás caso seja sanado o déficit da Companhia, que necessita de acionistas minoritários com capital para investir na empresa", afirmou Ênio. O ex-presidente reforçou ainda que “a Celg possua uma grande virtude, seu grande mercado, com receita média de R$ 3 bilhões anuais”.
Sobre o endividamento por financiar em bancos, Ênio disse que 90% das empresas que atuam no mercado agem dessa forma e que ser financiado por terceiros não é crime, mas que é preciso organização e controle. De acordo com ele, a dívida da Celg é de R$ 4,1 bilhões. O número de R$ 5,7 bilhões, lançado pelo Governo se refere à divida da Celg somada aos passivos, que é de R$ 1,6 bilhão. “Hoje, se forem comprar a Celg, a dívida bruta é de R$ 4,1 bilhões”.
Ênio disse ainda, que em houve diversos cortes em relação aos contratos terceirizados. “Cortamos várias empresas terceirizadas, mas confesso que não consegui ainda atingir o meu objetivo inicial. Vale lembrar que a Celg está a 44 meses sem tarifas debitadas aos usuários do serviço da empresa”, citou.
O deputado José Nelto (PMDB) afirmou que o problema da Celg é um problema de gestão. Ênio concordou, “houve problema de gestão, mas o problema maior foi de estratégia, como a falha na venda de Cachoeira Dourada”. Já o relator da CPI Humberto Aidar (PT) questionou a questão da 212 Capital, empresa contratada como consultoria, mas que supostamente era laranja e distribuía dinheiro.
O ex-presidente respondeu dizendo que a 212 Capital é uma operação que deu muito certo. ”São consultores que são procurados para analisar e estruturar empresas, que era o que a Celg estava precisando, e que atingiu seus objetivos”, concluiu Ênio Branco.