Celg enfrentou duas Cachoeiras Douradas, diz José Paulo Loureiro
Para o encomista José Paulo Loureiro, que presidiu a Celg entre 2002 e 2004, a venda de Cachoeira Dourada representou um grande desfalque no caixa da empresa. “A Celg enfrentou na verdade duas Cachoeiras Douradas. A primeira, foi a venda da usina. A segunda, foi quando o dinheiro da venda não foi aplicado na empresa”, explica.
José Paulo é ouvido pela Comissão Paralmentar de Inquérito (CPI) que investiga o endividamento da Celg na noite desta quinta-feira, 28, em reunião realizada no auditório Solon Amaral. Também foram ouvidos nesta tarde os ex-presidentes da estatal José Walter Vasquez Filho e Ênio de Andrade Branco.
O economista acrescenta que Cachoeira Dourada não foi o único problema que colocou a Celg em dificuldades. Outros gargalos apontados pelo ex-presidente da Companhia são as dívidas do Estado e da União com a empresa, além da ausência de reajuste das tarifas.
José Paulo Loureiro lembra que, além de não pagar suas dívidas com a Celg, a União também impede reajustes tarifários da empresa, o que a coloca em situação cada vez mais difícil. “A tarifa é responsável pelo poder de investimento da empresa”, comenta o economista, lembrando que cidades goianas abastecidas por companhia de outro Estado pagam energia até duas vezes mais caro.
O executivo citou o exemplo da Cemig mineira: em Itumbiara, se um determinado estabelecimento paga R$ 100 de energia, em Centralina, do outro lado do Rio Paranaíba, no Estado mineiro, o mesmo estabelecimento pagaria R$ 300.
José Paulo destaca também que os municípios têm sua parcela de responsabilidade no endividamento da Celg. Conta que quando assumiu a empresa em 2002 encontrou casos de prefeituras que parcelaram débitos em até 150 anos. Quanto aos advogados contratados pela Celg durante sua gestão, ele destaca que esses profissionais deram lucros para a empresa, já que recebiam honorários apenas em cima das dívidas que conseguiam receber.