"Governo Federal apontou a saída da privatização e nós concordamos", diz Ovídio
Em entrevista a jornalistas, o ex-presidente da Celg Ovídio de Ângelis (PSDB) disse que, no período em que foi presidente do Conselho Estadual de Desestatização, o então governador Maguito Vilela (PMDB) não foi obrigado a vender a usina de Cachoeira Dourada. "Mas se quisesse que o Estado tivesse sua dívida com o Governo Federal renegociada, era obrigatório vender algo e, no caso, a escolhida foi Cachoeira Dourada", completou.
"A venda da usina de Cachoeira Dourada foi uma decisão conjunta dos Governos Estadual e Federal. Não é correto falar em pressão, mas é claro que Goiás foi solicitado a privatizar, a fazer uma reciclagem patrimonial", disse Ovídio. De acordo com ele, a privatização era uma "determinação do Governo Fernando Henrique Cardoso em uma onda mundial difícil de ser interrompida", que recebeu "concordância" do então governador Maguito Vilela para que outras dívidas do Estado com a União fossem renegociadas, aliviando a saúde financeira do Estado a curto e a longo prazo.
O ex-presidente da Celg - que também foi ministro no Governo FHC - diz que não se arrepende de nada do que fez na vida pública. "Não me arrependo, porque fiz tudo bem feito", afirmou. E, segundo ele, a venda de Cachoeira Dourada foi transparente. "Sou tão responsável pela venda quanto os deputados estaduais que aprovaram a medida por maioria", disse.
Segundo Ovídio, a venda da usina não atrapalhou em nada a vida financeira da Celg. "Mesmo depois da privatização de Cachoeira Dourada, a energia é comprada por um valor e vendida por três vezes mais, então não deveria haver prejuízo", pontuou. O ex-presidente da estatal disse ainda que, em sua gestão - entre 18 de fevereiro de 1992 e 8 de fevereiro de 1994, na época do então governador Iris Rezende (PMDB), portanto antes da venda da usina -, a viabilidade financeira da Celg foi assegurada.
Ovídio disse também que as tarifas estabelecidas para o consumidor são as tarifas de mercado. "A Celg sempre praticou o maior preço permitido para o consumidor, antes e depois da venda de Cachoeira Dourada. Então a privatização da usina de Cachoeira Dourada não fez a Celg quebrar", argumentou.
O ex-presidente da Celg afirmou ainda que o levantamento da Fipe para a CPI é importante, mas precisa ser mais "aprofundado e explicitado". "Não é um levantamento equivocado, mas não pode ser raso", disse. Ele também afirmou que não sabe quem quebrou a Celg. "A CPI está aí exatamente para descobrir isso", concluiu.