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Juventude renegada

04 de Fevereiro de 2010 às 17:15
Artigo do deputado Daniel Goulart (PSDB) publicado no jornal O Popular, edição de 04.02.2010.
* Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB



Para muitos jovens e crianças, o final do mês de janeiro e o início de fevereiro representam o retorno às aulas. É tempo de renovar o ânimo, aprender coisas novas e dar mais alguns passos rumo a um futuro promissor. Uma pena que essa não seja a realidade de todos, apesar de ser um direito garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

O pior é saber que há recursos exclusivamente criados para assegurar esses direitos que não estão sendo usados ou estão sendo mal aplicados.

É desesperador ver a infância marginalizada em ruas, praças e semáforos. Do bairro nobre à periferia. De marquises na AVenida T-63, no Setor Bueno, que virou reduto de vários jovens e crianças, às praças de regiões mais distantes do Centro. No interior a situação não é diferente e, assim, as crianças ficam suscetíveis ao tráfico e ao consumo de drogas.

E o que causa revolta é saber que há dinheiro para criar programas que poderiam tirá-las dessa situação. Em reportagem recente, O POPULAR mostrou que mais de R$ 5,4 milhões estão parados em Fundos Municipais dos Direitos das Crianças e no fundo estadual, criados para garantir os direitos da infância. A reportagem mostrou também que a não utilização desses recursos piorou de 2008 para 2009, conforme as prestações do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) acusaram.

Além de demonstrar incompetência de gestão, alguns dados do TCM indicam que essas altas quantias foram usadas de maneira ilegal, como o pagamento de consultorias técnicas que não têm nada a ver com amparo à infância. Um descaso com o dinheiro público e com a vida humana. Vide a onda de homicídios registrada em Goiás nesse início de ano. A maioria das vítimas é jovem, cujo perfil é de envolvimento com drogas ou com a criminalidade.

Tanto se fala na importância da educação como a melhor forma de encaminhar alguém a uma vida promissora. Mas é preciso agir.

A guerra contra as drogas não será vencida com armas de fogo. Assim, ela será fortalecida. Esse mal deve ser combatido com livros, com cultura e esportes. E com uma gerência eficiente de recursos para a promoção de projetos que incentivem essas atividades lúdicas. Pelo visto, dinheiro não falta. O que falta é a consciência de muitos gestores, diante do legado negativo que estão deixando para a nossa juventude.

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