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Mudança climática é preocupação urgente

08 de Fevereiro de 2010 às 11:57
Artigo do deputado Padre Ferreira (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 08.02.2010.
* Padre Ferreira é deputado estadual pelo PSDB (www.padreferreira.com.br)



O sol quente e forte dos últimos dias é mais um sinal de que o clima já não é o mesmo de poucos anos atrás no Brasil. E não são apenas as pessoas da cidade que estão sentindo as diferenças climáticas. O excesso de sol ou chuva também já alcançou o campo. Em determinadas regiões do País, produtores perderam parte das lavouras ou não conseguiram realizar a colheita de modo satisfatório em janeiro.

Como não é segredo para ninguém, o alimento que chega todos os dias à nossa mesa é extremamente dependente de uma série de fatores climáticos, como temperatura, pluviosidade, umidade do solo e radiação solar. A menor alteração neste conjunto é sinal de prejuízo para o produtor e falta de comida na cidade.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a temperatura média do planeta deve subir por volta de 1º C até o fim deste século – nas previsões mais otimistas. Parece pouco, mas o problema vai afetar praticamente todo tipo de lavoura.

E olha que o WWF alerta que se o clima subir 2º C os efeitos sobre os seres humanos seriam potencialmente catastróficos, comprometendo seriamente os esforços de desenvolvimento dos países. Em alguns casos, informa a ONG de alcance mundial, países inteiros poderão ser engolidos pelo aumento do nível do mar e comunidades terão de migrar devido ao aumento das regiões áridas.

No caso da soja, alimento mais produzido na região sudoeste de Goiás, a estimativa é de que, até 2050, as melhores áreas de plantio sejam reduzidas em quase 30% – prejuízo de R$ 5,47 bilhões para o País. O IPPC também alerta que as mudanças no clima podem favorecer o aumento na ocorrência de doenças, pragas e plantas invasoras.

Só para citar outro exemplo, a maior empresa produtora de maçãs do Brasil anunciou que está levando seus pomares serra acima. As plantações, que hoje ocupam o oeste de Santa Catarina, vão migrar para São Joaquim, na região serrana do Estado. Motivo são os invernos cada vez mais quentes – temperatura subiu 1,3º C entre 1960 e 2009 na média mensal de janeiro na região.

Segundo a Embrapa, nas lavouras de soja do Sul, Centro-Oeste e Sudeste a ferrugem e outras doenças fúngicas aumentaram em decorrência das alterações no clima. A avaliação dos pesquisadores do instituto é que o aumento dos fungos é provocado pela combinação de excesso de chuvas e temperaturas muito elevadas.

A própria Embrapa, por sua vez, desenvolve pesquisas para tornar as plantas mais resistentes ao sol e à chuva. Mas apenas isso não é o bastante. É preciso que a sociedade como um todo tenha consciência da necessidade urgente de se mudar a maneira de conviver com o meio ambiente. O homem precisa viver de forma mais harmônica com animais e plantas.

Recentemente os chefes de Estado dos principais países do mundo debateram as mudanças climáticas em Copenhague, mas não decidiram nada. Foi perdida uma grande chance de dar uma reviravolta na situação. Mas, individualmente, podemos fazer a diferença. Podemos fazer mais pelo meio ambiente.

Vamos ajudar a preservar nossas nascentes de rios, tentar produzir menos lixo, reciclar os materiais, economizar água e energia elétrica, denunciar desmatamentos e fazer campanhas por novos parques e áreas de preservação. E o tempo corre, literalmente. Cada dia sem fazermos nada é mais uma derrota para o aquecimento global. E esta luta não pode ser perdida.

 



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