Fernando Cunha diz que Celg não se preparou para venda de Cachoeira Dourada
Ex-presidente da Celg, Fernando Cunha disse que não houve preparação na Celg para a realidade que se seguiu após a privatização da usina de Cachoeira Dourada, porque o Governo anterior não acreditava que perderia as eleições em 1998. De acordo com ele, havia um plano de demissão voluntária e descobriu que havia problemas financeiros no fundo de pensão da Companhia, a Eletra.
"Descobri que havia esse PDV, para ser justo, e que o órgão mais sonhado na Celg é a Eletra, que é o fundo de aposentadoria. Diziam que era mais rica que a Celg, com patrimônio e dinheiro no caixa. Fizemos levantamento e chegamos à constatação de que estaria quebrada. A arrecadação da Eletra não dava para pagamento das pensões dos funcionários. Fizemos trabalho para salvá-la", afirmou o ex-presidente.
Fernando Cunha disse que implantou novas subestações durante sua gestão, como Acreúna, Anápolis e Chapadão do Céu. De acordo com ele, a principal subestação de Goiânia havia sofrido incêndio próximo ao Carnaval de 2000. O ex-presidente disse que seria necessário construir nova instalação, ao custo de R$ 6 milhões, mas optaram pela reforma em aproximadamente uma semana pela metade do preço orçado.
O deputado Daniel Goulart (PSDB) havia solicitado a Fernando Cunha um balanço sobre sua gestão. O tucano, no início de seus questionamentos, havia afirmado que não considerava necessária a presença do ex-presidente da Celg porque sua gestão teria dado lucro para a Companhia, de acordo com dados da Fipe.
"Questionei ex-presidentes aqui que assumiram a empresa após a venda de Cachoeira Dourada. Passsaram a administrar a Celg sem receita. Entendo que não houve essa preparação. Fernando Cunha realizou investimentos e fez com que o déficit fosse reduzido", afirmou Daniel Goulart.