Carlos Silva afirma que tomou medidas para enxugar a empresa
O presidente da Celg, Carlos Silva, afirmou que tomou medidas para enxugar os gastos da empresa e manter a empresa viável até resolver a negociação com o Governo Federal. O acordo poderá transferir parte das ações da Companhia goiana para a Eletrobrás como forma de obter empréstimo para sanar parte das dívidas da empresa.
Carlos Silva disse que o convite para dirigir a Celg era um grande desafio. De acordo com ele, havia a consciência de que teria apoio do Governo, da Assembleia, da população e dos servidores da Companhia.
"A Celg é indutora de desenvolvimento de Goiás. Energia é elemento de soberania e segurança nacional. É peça fundamental para que o Estado continue crescendo", afirmou o presidente da estatal.
Carlos Silva disse que discutiu com o corpo técnico da Celg uma linha de ação para buscar um equilíbrio econômico financiero da Celg. De acordo com ele, o endividamento é um problema estrutural, cuja solução tem sido buscada pelos Governos Estadual e Federal.
"Coube a nós oferecer condições para a continuidade dos trabalhos da Companhia. A Celg tem prestado bons serviços para Goiás com qualidade e frequência. No período de chuva, enfrentamos dificuldades pelo alto índice de descargas elétricas no solo. A equipe tem sido eficiente e sanado os problemas com celeridade", afirmou Carlos Silva.
Reajuste de tarifa
O presidente afirmou que se buscou resgatar a autoestima dos funcionários da empresa, com visitas setoriais e ações para procurar reestrutar a Companhia. O engenheiro também informou que buscou interação e informação para estabelecer condições de recuperação para a Celg.
"O primeiro grande problema que encontramos foi o reajuste da tarifa. Foi autorizado, mas não sua aplicação. Isso reduziu o fluxo de caixa nos últimos 12 meses da ordem de R$ 300 milhões. Isso era um problema muito difícil", afirmou.
Carlos Silva disse que, em relação aos contratos, convidou os funcionários da Celg para participarem ativamente da execução dos contratos. Foram destacados, informa o engenheiro, três empregados para acompanhar a gestão dos vínculos da Companhia com empresas externas e realizar relatórios de produtividade, economicidade e eficiência.
O presidente da Celg disse que adotou uma medida radical de não realizar nenhum reajuste contratual, previsto legalmente. De acordo com ele, os prestadores de serviços foram informados e declararam que tinham ciência de que não haveria aditivos. O engenheiro afirmou que a economia resultante chegou a R$ 11 milhões apenas com a medida.
Carlos Silva disse que foram proibidas as horas extras dentro de áreas administrativas e que a concessão do benefício de periculosidade foi restrita. De acordo com ele, houve cortes também com comissionados, resultado em economia anual de aproximadamente R$ 20 milhões.
"Realizamos ainda o Plano de Demissão Voluntária, que teve 402 adesões. Houve desligamento de empregados nos últimos meses, resultando em economia para a empresa. A taxa de retorno foi de 14.73%, que atinge os empregados em teto de carreira, com vantagens pessoais agregadas, reduzindo ainda mais os custos com Recursos Humanos", afirmou o engenheiro.
Corumbá III
O presidente da Celg afirmou que a Companhia é acionista da usina de Corumbá III. De acordo com ele, a empresa detém 15% do valor acionário da geradora, que produz 94 megawatts. O engenheiro afirmou ainda que obteve economia na realização dos pregões da empresa.
"Temos procurado convergir os recursos para a atualização da nossa tarifa. Nossos passivos judiciais tem sido revertidos pelo corpo jurídico da Celg, que enfrenta bancas renomadas no País. O processo dos municípios, que trata de créditos do ICMS, é um dos que mais afligem a Celg hoje e podem somar R$ 2 bilhões. Temos oferecido todas as informações solicitadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Estado de Goiás", afirmou o engenheiro.
Carlos Silva informou que têm sido realizados grandes esforços para obter os recebíveis da Celg. De acordo com ele, os prefeitos têm procurado junto à Companhia uma solução para o acerto de contas de energia elétrica em atraso. O presidente disse ainda que tem sido oferecido mecanismos para regularizar a situação junto a credores e devedores.
O presidente da Celg disse que em 2009 pode ter conseguido lucro operacional na casa dos R$ 6 milhões.