Ícone alego digital Ícone alego digital

"A venda de Cachoeira Dourada não foi decisão minha", afirma Juquinha das Neves

11 de Fevereiro de 2010 às 13:24

Ex-presidente da Celg, José Francisco das Neves, que participa na manhã desta quinta-feira, 11, da reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os motivos do endividamento da Celg, declarou em entrevista que apesar da venda da Usina de Cachoeira Dourada ter ocorrido durante sua gestão a decisão não foi sua.

“Eu não fiz a negociação da venda de Cachoeira Dourada, o Governo Estadual na época constituiu um Conselho de Desestatização que decidiu a venda. Portanto, a negociação foi totalmente decidida pelo Estado. A Celg simplesmente prestou as devidas informações na época”, ressaltou.

Juquinha das Neves acrescentou ainda que, além de não ter sido o responsável pela decisão, se colocava contra a venda. “Na época em que fui presidente da Celg, a mídia toda foi informada que eu tinha a minha posição contrária a essa negociação. Naturalmente não fui eu que fui eleito para decidir sobre a venda, e todos sabem disso aqui no Estado de Goiás. Inclusive como deputado federal e membro da Comissão de Minas e Energia, ajudei a impedir, por exemplo, a venda de Furnas. O então deputado Aécio Neves na época me pediu que interferisse como contrário a negociação e fiz o meu papel naquela oportunidade”.

Questionado sobre a necessidade da venda da Usina de Cachoeira Dourada, Juquinha reforçou que o caso foi uma decisão de Governo e como em qualquer outra empresa a decisão é sempre do acionista majoritário. “O Governo era o acionista majoritário e como em toda empresa é esse acionista que decide sobre os passos da empresa. O relatório mostra que em todos os anos as decisões que foram tomadas sempre foram do acionista majoritário e não passaram pelo gestor”.

O ex-presidente afirmou, ainda, que dentro de suas responsabilidades o que pode ser feito de melhor foi feito e que, apesar de sua opinião não refletir muito do que aconteceu à empresa na época, sua gestão foi uma das que mais benefícios trouxe à empresa. “Em minha opinião, quando você vende o patrimônio de uma empresa isto acarreta em perda de forças, não resta a menor dúvida disto. Eu, como presidente, fiz minha parte e realizei um enxugamento na empresa. Ao entregá-la em abril de 1998 eu praticamente saí sem dívidas”, comentou.

Segundo as contas do ex-presidente, “a dívida total era de R$ 570 milhões, tínhamos um crédito de R$ 320 milhões a receber de Cachoeira Dourada; tínhamos dívidas de usuários, principalmente da Saneago e outros órgãos públicos estaduais que na época não pagavam, na ordem de R$ 170 milhões; e o Estado na época ainda ficou de assumir 20% dessa dívida ao vender a usina, portanto, ao realizarmos os cálculos, o resultado mostra que eu saí sem dívida”, afirmou Juquinha das Neves.

“Essa minha última gestão foi um período de maior crescimento no Estado. Executamos na época o maior programa de eletrificação rural da América Latina. Levamos o programa “Luz na Roça” a todos os rincões goianos, tudo feito com muita responsabilidade. As subestações construídas na minha gestão são as que até hoje sustentam o sistema elétrico da Celg. Foi o período em que a Celg mais cresceu em termos de suporte no fornecimento de energia elétrica”.

O ex-presidente afirmou que em sua gestão não houve endividamento da empresa sendo, pelo contrário, marcada pelo maior enxugamento sofrido pela Celg. “Ao contrário de endividar, minha gestão foi marcada pelo maior enxugamento da história. Peguei a folha de pagamento com mais de R$ 12 milhões atrasados de salário e tive que cortar na própria carne reduzindo para pouco mais de R$ 6 milhões. Peguei as perdas da Celg que estavam em mais de 17% e fechei com 11,9%, e todos estes números estão nos relatórios históricos da Celg. Fiz aquilo que devia ter sido feito dentro das Centrais Elétricas de Goiás”, comentou.

Juquinha das Neves não destacou um único principal motivo para que a empresa se encontre na situação atual e acredita que a melhor explicação estaria na união de vários fatores, que coletivamente colaboraram para o endividamento. “As agonias da empresa vêm de muito tempo. Tivemos que vender tarifas subsidiadas, entre outras questões, como casos em Cachoeira Dourada e Corumbá que são basicamente os pontos críticos que todos os presidentes enfrentavam. Não eram problemas inerentes à própria Celg”.

“Eu particularmente sofri muito com a parte de iluminação pública. Tive que cortar fornecimento à Prefeitura de Goiânia justamente para mostrar que se cobramos do cidadão trabalhador de classe baixa, temos a obrigação moral de cobrar também dos órgãos públicos. Portanto, existe uma série de injunções que acontecia que levaram a empresa a chegar na atual situação”, afirmou o ex-presidente.

Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.