Helio de Sousa diz que Celg tem R$ 3,2 bilhões a receber
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o endividamento da Celg nos últimos 25 anos ouviu na manhã desta quinta-feira, 18, mais dois empresários que prestaram sua colaboração para que se esclareçam as causas do endividamento da empresa. Foram eles o representante das empresas Fuad Rassi, o diretor Luiz Alberto Rassi, e da Javaés, Amós Oliveira.
“A Celg não recebe seus créditos do Governo do Estado (mais de R$ 1,5 bilhão), do Governo Federal (cerca de R$ 1 bilhão), da Eletrobrás (acima de R$ 250 milhões) , das prefeituras (mais de R$ 300 milhões) e de várias outras instituições”, esclareceu o presidente da CPI, deputado Helio de Sousa (DEM), durante entrevista após o encerramento das oitivas realizadas pela manhã.
Segundo ele, o fato de a estatal ter sido sempre uma "mãezona" quando oferecia suas contribuições e, ao não cobrar as contrapartidas dos beneficiados, causaram o endividamento atual. Para ele, esse tipo de conduta acarretou o fato de hoje a Celg possuir cerca de R$ 3,2 bilhões em contas a receber de clientes.
Otimismo
Helio de Sousa (DEM) se diz otimista com os resultados que serão obtidos na entrega do relatório, e informa que a sociedade terá em mãos o resultado de um trabalho sério que, ao contrário das especulações, não deixou de representar o seu papel. “Tivemos a oportunidade de ouvir todas as autoridades envolvidas com a empresa durante o período de endividamento da Celg", afirma.
Para o parlamentar, "isto não significa que sejam culpados, mas que tiveram vínculos com contratos ou vínculos administrativos. No meu entendimento, o deputado Humberto Aidar (PT) vai ter condições de apresentar um relatório com certeza inédito que vai mostrar, com toda transparência, que não existe apenas uma causa de endividamento, mas sim vários responsáveis”.
Segundo Helio de Sousa, a forma com que a empresa lidava com suas atribuições é que pode resumir a atual situação de dificuldades. “Se fizermos uma análise crítica, podemos dizer que ao longo da sua história a Celg aprendeu a ser endividada. A empresa passou a ser uma mãezona para todo mundo, para prefeitos, para governantes, para vários loteamentos, entre outros. Na hora de dar a sua contribuição ela é a grande mãe, mas na hora que tem que receber, falta eficiência na hora da cobrança”.
O presidente da CPI comentou que suspeita de uma má vontade em fazer com que a empresa possa se recuperar, com a obtenção de empréstimos que permitam que a mesma quite dívidas e volte a poder aplicar reajustes em suas tarifas. “Há mais de um ano que o Governo do Estado tenta assinar contrato com o BNDES e não consegue".
"No dia 13 de agosto do ano passado, ficou formalizado, junto ao presidente Lula, que naquele mês o contrato seria assinado", lembra Helio de Sousa. "Passaram-se seis meses e nada foi conseguido, ainda. Considerando que há um prejuízo muito grande ao se atrasar esse empréstimo, percebemos, conforme vai se aprofundando, que não há um interesse de acabar com a atual situação de dificuldades que a empresa enfrenta”, ressaltou Helio de Sousa.
A CPI se reúne novamente à tarde a partir das 14 horas, quando os deputados-membros colherão o depoimento do ex-prefeito de Santa Helena de Goiás, Júdson Oliveira da Silva; do diretor-presidente da Endesa, Guilherme Lancastre (que comunicou à CPI que não deverá comparecer); do diretor-presidente da Eplan, Marcos Alberto Luís de Campos; e do representante do Banco Prosper, José Luiz Palhares Campos.