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CPI da Celg

22 de Fevereiro de 2010 às 11:24
Tribunal de Contas do Estado entrega última análise nesta segunda-feira, 22, às 16 horas, no Auditório Solon Amaral.
A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o endividamento da Celg nos últimos 25 anos recebe nesta segunda-feira, 22, o último levantamento realizado pelos analistas do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE). O documento, que abrange o período compreendido entre 2003 e 2008, será entregue às 16 horas, no Auditório Solon Amaral.

O TCE
já entregou três análises para a CPI da Celg. A primeira abrange o período de 1983 a 1990; a segunda reúne dados sobre a Companhia entre 1991 e 1994. O terceiro documento trata da situação da concessionária goiana entre 1995 e 2002. Os três estudos estão disponíveis no Portal da Assembleia.

O relator da CPI da Celg, Humberto Aidar (PT), disse que a empresa seria uma "mãe" na hora de pagar, mas uma madrasta na hora de receber o que lhe é devido. O petista informou que o relatório será debatido na Comissão no dia 2 de março e, após as deliberações, encaminhado para o plenário Getulino Artiaga.

"O principal problema da Celg é a má gestão", afirmou Humberto Aidar. Segundo ele, o fato pode ser constatado através do acúmulo de evidências, colhidas ao longo das diversas sessões da CPI. "No momento em que o Estado procura fazer favores para atender aos políticos, a Celg age como se fosse uma mãe. Mas na hora de receber, há um preço. E por não receber aquilo que lhe é devido, a Celg apresenta um grande prejuízo", criticou.

O petista acrescentou que a Celg continua sendo gerida segundo critérios políticos, e não técnicos. "Ou a Celg faz uma gestão profissional, tendo como critério a competência técnica do quadro de diretores nomeados, ou então nunca conseguirá sair da situação em que se encontra", observou.

Apesar das críticas, o deputado afirmou que a Companhia ainda possui todas as  características de uma grande empresa. "A Celg é uma sociedade de economia mista. O Governo é acionista majoritário e deve prestar serviços sociais mas, no mínimo, também deve ressarcir a companhia por aquilo que gasta. Não podemos nos esquecer de que a Celg é sobretudo uma empresa que não pode ser utilizada por políticos para fazer cortesia com o chapéu alheio", concluiu.

Otimista

Helio de Sousa (DEM) se diz otimista com os resultados que serão obtidos na entrega do relatório final, produzido por Humberto Aidar, e informa que a sociedade terá em mãos o resultado de um trabalho sério que, ao contrário das especulações, não deixou de representar o seu papel. “Tivemos a oportunidade de ouvir todas as autoridades envolvidas com a empresa durante o período de endividamento da Celg", afirma.

Para o parlamentar, isto não significa que sejam culpados, mas que tiveram vínculos com contratos ou vínculos administrativos. "No meu entendimento, o deputado Humberto Aidar (PT) vai ter condições de apresentar um relatório com certeza inédito que vai mostrar, com toda transparência, que não existe apenas uma causa de endividamento, mas, sim, vários responsáveis.”

Segundo Helio de Sousa, a forma com que a empresa lidava com suas atribuições é que pode resumir a atual situação de dificuldades. “Se fizermos uma análise crítica, podemos dizer que ao longo da sua história a Celg aprendeu a ser endividada. A empresa passou a ser uma mãezona para todo mundo, para prefeitos, para governantes, para vários loteamentos, entre outros. Na hora de dar a sua contribuição ela é a grande mãe, mas na hora que tem que receber, falta eficiência na hora da cobrança.”

O presidente da CPI comentou que suspeita de uma má vontade em fazer com que a empresa possa se recuperar, com a obtenção de empréstimos que permitam que ela quite dívidas e volte a poder aplicar reajustes em suas tarifas. “Há mais de um ano que o Governo do Estado tenta assinar contrato com o BNDES e não consegue."

"No dia 13 de agosto do ano passado ficou formalizado, junto ao presidente Lula, que naquele mês o contrato seria assinado", lembra Helio de Sousa. "Passaram-se seis meses e nada foi conseguido, ainda. Considerando que há um prejuízo muito grande ao se atrasar esse empréstimo, percebemos, conforme vai se aprofundando, que não há um interesse de acabar com a atual situação de dificuldades que a empresa enfrenta”, ressaltou Helio de Sousa.

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