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Jovens acorrentados

23 de Março de 2010 às 12:20
Artigo do deputado Humberto Aidar (PT) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 23.03.2010.
*  Humberto Aidar é deputado estadual (PT) e comunicador da Rádio Difusora de Goiânia


Não me causaram estranheza os dados apresentados em reportagem do Diário da Manhã sobre o excessivo número de assassinatos de menores de idade na região metropolitana. Jovens que estão perdendo a vida nesta cidade cada vez mais violenta. E não estranhei porque percebo que boa parte dos nossos jovens – na Capital e no interior também – está sem perspectiva de futuro. Por absoluta falta de opção de estudo, lazer e trabalho, os jovens acabam perdendo a esperança num amanhã melhor e com isso escancaram as portas de suas vidas para as drogas, delitos e crimes. Sem falar, claro, no incentivo que a impunidade, a pobreza e a desagregação familiar geram nessa rapaziada. Percorrendo a periferia das grandes cidades e os municípios mais pobres de Goiás, percebi a existência de duas situações preocupantes. Sem perspectiva de um futuro digno, as adolescentes engravidam e se tornam mães cedo demais ou partem para o mundo da prostituição. Já os rapazes se viciam em drogas e partem para a marginalidade com o objetivo de manter o vício. Essas duas situações acontecem com bastante frequência, e o mais grave é que, quando elas acontecem, pegar o caminho de volta é quase que impossível.


As famílias que tentam evitar que seus jovens destruam suas vidas não têm apoio algum no poder público. Há raríssimas exceções e um louvável trabalho de entidades filantrópicas que não conseguem atender a crescente demanda.  Nesta semana mesmo, a TV mostrou uma avó que precisou acorrentar o neto dentro de um quarto para que ele não fosse para a rua em busca de drogas. O garoto – já viciado em crack – tem apenas 13 anos de idade. Acorrentar o neto foi a saída encontrada por essa avó, cansada de bater de porta em porta atrás de tratamento. Se tivesse dinheiro conseguiria ajudar o neto. Mas quem trabalha de dia para comer à noite não tem condições de pagar tratamento particular. Sem ajuda do poder público, a corrente e o cadeado colocados no tornozelo do garoto foi a solução que essa avó encontrou para impedir que o neto morra nas mãos dos traficantes. Como condenar essa senhora se ela também é uma vitima da ineficiência e omissão do poder público? Casos como esse são mais comuns do que a gente imagina e refletem o desespero que toma conta das famílias carentes cujos filhos e netos buscam nas drogas e no crime o futuro que a educação não lhes deu. É a falta de perspectiva de vida. A chance de tornar real o sonho. Chance que a sociedade nega a esses jovens que acabam se entregando aos vícios e à marginalidade. E mesmo quando acordam, uma segunda chance lhes é negada porque a instituição Estado não possui estrutura que ofereça tratamento digno a esses jovens cidadãos. Só restam a eles, então, duas alternativas: as correntes, que aquela avó colocou no neto, ou o fundo do poço e da vida. Precisamos quebrar essa corrente.  Já passou da hora dos governos municipais, estaduais e federal encontrarem uma forma de dar “luz” e esperança aos nossos jovens ou, no mínimo, criar uma instituição que possa devolver aos que se perderam nas drogas e no crime, a dignidade para recomeçar. Sem isso, vamos ter de continuar assistindo avós desesperadas e abandonadas pelo poder público acorrentando os netos para que não se entreguem às drogas e à criminalidade.

 


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