Presidente da Eletrobras fala sobre pontos polêmicos de projeto sobre venda da Celg
A comissão suprapartidária, formada por oito parlamentares, se reuniu nesta quarta-feira, 24, com o presidente da Eletrobras, José Antônio Muniz Lopes, na sede da empresa, em Brasília. O objetivo da reunião foi a obtenção de maiores informações sobre os termos do acordo de venda de 41,08% das ações da Celg à estatal federal.
De acordo com José Antônio Muniz, o projeto deixa claro que a gestão operacional da Celg, após a conclusão do acordo, será da Eletrobras, já que a empresa será responsável pela indicação do vice-presidente e de toda a diretoria da Celg. Mas o presidente ressaltou que isto não significa que “poderemos fazer o que quisermos”.
Para o presidente, será mantida a participação ativa do Estado na verificação dos atos da Eletrobras para que estes correspondam aos interesses do povo goiano. “Somos obrigados a prestar contas de todas as nossas ações, não só para o Governo, mas também para os acionistas e para a sociedade”, afirmou.
José Antônio Muniz ainda declarou que a Eletrobras não está preocupada em lucrar com a compra das ações da Celg, mas que também não pode correr o risco de ter prejuízo com a operação. “Vejo esta negociação mais como uma missão do que realmente como um negócio. O lucro que esperamos é ver a população de Goiás contando com uma empresa sadia, que subsidie o desenvolvimento de seu Estado”, enfatizou.
Para não ter prejuízo, o acordo de venda traz algumas precauções para a estatal federal, como a possibilidade de o Governo do Estado oferecer suas ações em garantia, ou de perda da gestão pelo Estado no caso de não pagamento de obrigações financeiras pactuadas. “Queremos que a Celg opere com todo o seu potencial, mas não podemos perder dinheiro”, acrescentou.
Quanto à tramitação do projeto de venda das ações na Assembleia, José Antônio Muniz afirmou que a Eletrobras não estabeleceu prazos, mas que não há garantias de que o recurso da Reserva Global de Reversão (RGR) - que será utilizado para a compra - permanecerá disponível. “Esse recurso atende vários projetos, como o Luz para Todos e o Reluz. O recurso é pequeno para o tamanho da demanda”, explicou.
O presidente ainda ressaltou que o Estado de Goiás é que deveria ter pressa no andamento do projeto, já que cada dia representa mais prejuízo para a Celg, por causa da impossibilidade atual de reajustamento da tarifa devido às atuais dívidas.
Depois que o projeto for aprovado na Assembleia, o acordo dependerá da elaboração de Medida Provisória pelo Presidente da República, para liberar o dinheiro necessário para que a Eletrobras compre as ações.
Participaram do encontro os deputados Helder Valin (PSDB), presidente da Casa, Evandro Magal (PP), Paulo Cézar Martins (PMDB), Betinha Tejota (PSB), Thiago Peixoto (PMDB), José Nelto (PMDB), Cláudio Meirelles (PR) e Isaura Lemos (PDT).