Eleição e jornalismo
Aconteceu nesta manhã desta quarta-feira 7, na Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado estadual Tiãozinho Costa (PTdoB), o debate sobre “O Papel do Jornalista nas Eleições”. O evento foi realizado em virtude do Dia do Jornalista comemorado nesta data.
Fizeram parte da mesa de debates o advogado especialista em Direito Público e Eleitoral, Dalmy de Faria; o repórter de Política do jornal "O Popular", Carlos Eduardo Reche; o professor das Faculdades Alfa e servidor do Legislativo, Eduardo Horácio; o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Luiz Spada; e o professor e pesquisador da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (Facomb-UFG), Luiz Signates.
Na abertura do evento, o deputado Tiãozinho Costa discursou agradecendo a presença de todos e parabenizando aos jornalistas pela data comemorativa. “O objetivo do debate nesta manhã é oportunizar a troca de opiniões, informações, e assim, comemorar 7 de abril – Dia do Jornalista com importantes reflexões”, destacou.
Entre os assuntos abordados foram discutidos temas como a utilização de novas mídias, ética, legislação eleitoral e experiências bem-sucedidas durante o processo. O advogado especialista em direito eleitoral Dalmy de Faria discutiu sobre os padrões éticos da comunicação e o que é permitido em termos jornalísticos para a campanha eleitoral.
“Na minha visão, o jornalista é o segundo papel mais importante nas eleições, seguido do próprio candidato, pois é o jornalista que tem a função de informar sobre a proposta de cada candidato sem beneficiar nenhum deles”, explicou. Segundo ele, quem está nos veículos de comunicação deve saber avaliar as informações da assessoria de imprensa da campanha eleitoral, para não causar prejuízos, desequilibrando o jogo democrático, no caso de pender para um determinado candidato.
Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Luiz Spada explicou sobre a importância do profissional agir com ética e garantir que o noticiário seja imparcial, deixando o leitor fazer suas opções sem manipulação ou influência qualquer. Luiz Spada defendeu que é preciso uma consciência da responsabilidade que o jornalista tem, ou deve ter, na medida em que exerce papel fundamental na formação de opiniões em nossa sociedade. “O respeito à ética e o profissionalismo nos permite fazer uma cobertura de qualidade e que realmente possa trazer benefícios ao eleitor. É possível fazer cobertura eleitoral sem cometer atitudes tendenciosas.”
Spada defendeu, ainda, a regulamentação da profissão de jornalista. “Nossos legisladores federais ainda não tiveram a consciência de que por vezes já foi explicitada aqui na Assembleia Legislativa de Goiás, e que mais uma vez é reforçada no dia de hoje, que é a importância de um jornalista bem-formado. E esta formação só é possível através de uma universidade”.
Percepção
“Política não é número, é o sentimento nas ruas e a percepção do olhar do eleitor. Apesar de toda a idoneidade que uma pesquisa possa ter, ela não deve ser vista como decisiva na elaboração de um voto e principalmente por parte do jornalista, não deve ser a orientadora na elaboração de matérias.” A avaliação é do repórter de política do jornal "O Popular", Carlos Eduardo Reche, ao ser indagado sobre a importância da publicação de pesquisas eleitorais em matérias jornalísticas. “O bom jornalista tem função de relatar e apurar os fatos”, finalizou Carlos Eduardo.
O professor das Faculdades Alfa e servidor da Agência de Notícias da Assembleia, Eduardo Horácio, também participou do debate sobre "O Papel do Jornalista nas Eleições" e pontuou questões falhas por parte dos jornalistas na cobertura da imprensa nos dias atuais.
Falta de coberturas mais efetivas, apoio da cobertura em pesquisas, manipulações sutis, desigualdade de cobertura e diversos outros fatores foram levantados pelo professor, ao ressaltar que a maior discrepância do jornalismo no processo eleitoral está na diferenciação dos possíveis eleitos aos demais candidatos. “É preciso liberar mais as regras e permitir igualdade de palavra a todos os candidatos sem distinção de forças”, destacou.
Segundo Eduardo, a tendência nas sociedades mais desenvolvidas é a liberação da legislação eleitoral e das formas de campanha, enquanto no Brasil a proibição vem sendo a principal conduta. “Quiseram proibir inclusive o uso da internet em nosso País e isso, ao meu ver, só fortalece e perpetua os que estão no poder”, finalizou.
O professor e pesquisador da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (Facomb-UFG), Luiz Signates, destacou que a atual concepção da mídia em relação à sua importância num processo eleitoral possui várias distorções e a possibilidade de manipulação do eleitorado já não é uma característica absoluta do jornalismo.
“Nós vivemos ainda uma concepção frankfurtiana do eleitor. Os julgamos emburrecidos diante da mídia. Esta concepção enrijeceu de tal maneira a Legislação que engessou o modo de cobrir uma eleição”, destacou. Ou seja, "a legislação tutela o eleitor, na medida em que pretende impedir que ele julgue por si mesmo os candidatos", aponta Signates.
Segundo o professor, o eleitor possui seus sistemas de defesa que inclui a capacidade de ignorar a mídia. “O jornalista é um componente importante, mas não é o único e nem sempre o verdadeiro autor de todas aquelas escolhas que são feitas na elaboração de uma matéria ou para a escolha de um voto.”
De acordo com Signates, a Legislação baseada numa suposta ignorância do eleitor não está permitindo ao cidadão conhecer novos candidatos. Para o professor, seria necessário revisão das leis eleitorais, tornando possível à mídia produzir informações mais completas a respeito dos candidatos. “Elaborar uma Legislação excessivamente forte é impedir que exista um processo eleitoral saudável e fomenta um sistema político conservador, em que o eleitor vota em quem já conhece por medo de errar."