Mudança do clima
Debate global sobre Meio Ambiente precisa ser cada vez mais discutido e trabalhado em âmbito regional. A afirmação foi consenso entre os participantes do seminário sobre “Mudanças Climáticas: Ações para Mitigação”, na manhã desta quarta-feira, 7, que foi aberto com a realização de três palestras. O debate teve continuidade no período da tarde no Auditório Costa Lima.
Para Thiago Peixoto (PMDB), propositor do seminário, já passou da hora de Goiás ser inserido na discussão sobre o clima. “O aquecimento global é real e exige ações urgentes para que seja possível evitar catástrofes em um futuro bem próximo. As mudanças climáticas também ocorrem em Goiás e as ações e mudanças comportamentais são pessoais. Queremos criar no Estado uma agenda de debates sobre essa questão”, ressaltou Thiago.
A ideia do evento surgiu após uma viagem que o parlamentar fez a Copenhague, em dezembro passado. Ele foi o representante goiano (único político de Goiás) na conferência do clima da ONU (COP-15), realizada naquela cidade europeia. “Para nós, as discussões sobre meio ambiente parecem muito distantes. Na verdade, percebi na COP-15 que, muito mais que um tratado global, precisamos de ações locais”, ressaltou.
O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, apresentou, durante sua participação no evento, o balanço de ações e perspectivas da Prefeitura de São Paulo, que podem ser tomadas como exemplo para Goiás. A primeira ação foi elaborar um diagnóstico, em que se viu que parte considerável do problema da emissão de gases estufa na capital paulista se refere aos aterros sanitários e ao uso de energia.
“Com esse diagnóstico, a Prefeitura pode agir de forma científica”, disse Eduardo Jorge. Segundo ele, a partir desses dados, constatou-se a necessidade de construção de duas usinas para captação de gases do efeito estufa, diminuindo cerca de 16% a emissão de gases.
Na questão do tráfego de veículos, Eduardo Jorge destacou a necessidade de Goiânia racionalizar o uso do transporte. “São Paulo tem 6 milhões de veículos para 13 milhões de habitantes. Goiânia tem quase 1 milhão de carros para uma população de 1,3 milhão de habitantes. A Capital goiana tem que racionalizar esse uso, não pode ficar refém dos carros. Deve-se ampliar o transporte coletivo, estimular a utilização de bicicletas, entre outras ações”, disse.
Rio de Janeiro
Eduardo Jorge lembrou os problemas gerados pelas fortes chuvas nos últimos dias no Rio de Janeiro e que já provocaram mais de uma centena de mortes. “Seria mecânico dizer que esse fato é resultante do aquecimento global. É inegável, porém, que esses eventos ocorrerão com maior frequência e as cidades vão ter que se adaptar às mudanças inevitáveis do clima.”
A partir desse fato, ele destacou ações que devem ser efetivadas para amenizar catástrofes como a que ocorreu no Estado fluminense. "O maior investimento deve ser no convencimento popular, gerado pela conscientização. Precisamos promover o diálogo e a Educação Ambiental, para que todos estejam convencidos da necessidade de proteger o meio ambiente com ações, como, por exemplo, a coleta seletiva", ressaltou o secretário paulistano.
Ele também destacou a necessidade de leis específicas e rígidas, exigindo o cumprimento de regras para proteção do meio ambiente.
Arborização
Presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente de Goiânia (AMMA), Clarismino Júnior ressaltou a importância da arborização para a melhoria climática e ambiental da Capital. “Goiânia é a cidade mais arborizada do País. Temos quase uma árvore por habitante. Precisamos, porém, tomar outras medidas para que ela se torne habitavelmente ideal.”
Nesse sentido, o presidente da AMMA destacou as competências da União, Estados e municípios, nas políticas de proteção ao meio ambiente e esmiuçou as ações desenvolvidas pela Agência Municipal, como a instalação e revitalização de parques naturais urbanos e a implantação do programa de coleta seletiva, em toda a Capital. Ele ainda destacou o reconhecimento, inclusive da ONU, sobre as políticas ambientais desenvolvidas na Cidade.
O jornalista Vinícius Sassine falou sobre o papel da mídia na criação de hábitos saudáveis. “O trabalho jornalístico é decisivo no processo de conscientização ambiental. A cobertura desse tipo de jornalismo deve ser a mais investigativa e objetiva possível. Apesar do espaço ainda ser reduzido para esse tipo de matéria, hoje, a imprensa goiana está mais atenta aos problemas ambientais no Estado”, disse.
São Paulo
Os participantes do Seminário fizeram questionamentos aos palestrantes do período da manhã. O secretário do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, foi indagado sobre as usinas de retenção do metano, implantadas na Capital paulista. Ele reiterou os benefícios oriundos dessa ação.
Eduardo Jorge ainda explicou sobre as ações da Secretaria, na proteção dos rios que cortam a cidade, as ações referentes à racionalização do transporte coletivo e sobre o planejamento urbano. “A cidade tem que ser repensada em todos os aspectos”, disse.
Presidente da AMMA, Clarismino Júnior explicou as ações dos órgãos ambientais municipais para receber as multas oriundas do desrepeito à legislação ambiental. Ele também respondeu às questões referentes às políticas ambientais locais. O jornalista Vinícius Sassine destacou a necessidade de cobranças e mudanças na legislação, potencializando as penalidades. O ambientalista Thiago Camargo explicou as metas para a preservação do Cerrado.
Madeira
Ao contrário do que se pensa, a derrubada de árvores pode não ser prejudicial ao Meio Ambiente se for realizada de forma sustentável. Isso significa desenvolver um projeto de 30 anos que inclui delimitar áreas onde serão derrubadas somente árvores que já atingiram o grau máximo de maturidade e promover o replantio dessas mesmas espécies. A explicação é da coordenadora da Rede Amigos da Amazônia (RAA), Malu Vilela, a primeira palestrante do período da tarde.
Malu Vilela abordou o tema "Mudanças Climáticas e Consumo Responsável". Segundo ela, a exploração da madeira na Amazônia tem sua importância econômica e traz resultados positivos para o País se for realizada de forma responsável. Estes projetos de manejo sustentável estão sendo desenvolvidos em Estados onde a floresta amazônica está presente, mas, muitas vezes não surtem os efeitos desejados porque a legislação não é respeitada.
O Brasil é o quarto emissor de gases de efeito estufa no mundo, sendo a principal causa o desmatamento e as queimadas. Mas, em sua explanação, Malu mostrou um mapa de florestas intactas, onde a Amazônia ainda figura como uma das mais preservadas do planeta. A coordenadora da RAA explica que o bioma funciona como uma esponja que absorve gás carbônico da atmosfera e emite água em forma de gás, contribuindo, com isso, para manter o ciclo das chuvas em todo o continente americano e também pelo mundo, ajudando também no equilíbrio do clima.
A Rede Amigos da Amazônia foi criada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade e pelo Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV–EAESP).
O objetivo da entidade é introduzir critérios de sustentabilidade nas compras públicas e privadas de madeira, eliminando o consumo de madeira ilegal e influenciando o aumento da oferta de matéria-prima de origem legal e certificada, além de estimular a adoção de políticas e práticas, públicas e privadas, condizentes com a conservação florestal. É integrada atualmente por 42 Governos Estaduais e municipais e, em seu Conselho Consultivo, tem a participação de entidades como o Greenpeace e o Ministério do Meio Ambiente e a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente - ANAMMA.
Legislação
O diretor do SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, abordou a vertente "Legislação Ambiental e Municípios no Combate às Mudanças Climáticas". Em seu discurso, o diretor enfatizou a importância de o cidadão criar a consciência de que as mudanças climáticas atingem diretamente a vida humana. "A palavra mitigação é exatamente a pergunta: o que eu posso fazer para diminuir os impactos no Meio Ambiente?", disse Mario. E mais. "O Meio Ambiente não é apenas problema do urso polar, mas é nosso, que atingirá não só o clima em que vivemos, mas a economia, principalmente", enfatizou.
Mario explica que a palavra sustentável é tratada com distância, principalmente pelos jovens que se veem cansados de ouvir falar do assunto. "A questão é que sustentável é quando cada um começar a medir sua emissão de carbono no mundo, e quando o cidadão entender e contabilizar seu consumo de clorofluorcarbono (CFC)", abordou o diretor.
O diretor do SOS Mata Atlântica também apresentou um trabalho comparativo realizado pela empresa que igualou alguns bairros na cidade de São Paulo. Segundo os resultados obtidos, quando se compara os bairros que têm mais verde do que outros, é constatada uma diferença de até oito graus entre as localidades.
Mario mostrou aos presentes que essa mudança foi muito brusca no período de industrialização. "Muitos achavam que a industrialização era desenvolvimento, mas era atraso e um perigo que alcançava a humanidade", constatou Mario.
Ao concluir a apresentação, Mario Mantovani enfatizou a importância de se começar pequenas atitudes que, a princípio, parecem irrelevantes. Ele citou o exemplo de cada cidade lutar para que o vereador apresente projeto de lei do IPTU Verde. O projeto propõe que cada casa ou empresa que preserve ou plante verde reduza significativamente o valor tributário obrigatório.
O debate contou com a palestra nesta tarde de Luis Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. O debate que encerrou o Seminário “Mudanças Climáticas: Ações para Mitigação” apresentou questões que abordaram temas como pré-sal e a PEC Cerrado.
A mesa de debates foi composta pelo deputado estadual e realizador do seminário Thiago Peixoto (PMDB); por Malu Vilela, coordenadora da Rede Amigos da Amazônia/Fundação Getúlio Vargas; por Mario Mantovani, diretor do SOS Mata Atlântica; e Thiago Camargo, representante da AMMA.
Thiago Camargo, representante da Agência do Meio Ambiente (AMMA), explicou que o pré-sal deve ser analisado com responsabilidade, mas visando o futuro econômico do País. "O Brasil será líder mundial em produção de energia com a exploração massiva do pré-sal, mas deve-se levar em conta todas as questões ambientais envolvidas", explicou Thiago.
PEC Cerrado
A Proposta de Emenda Constitucional do Cerrado (PEC do Cerrado) também foi questionada por alunos de Ecologia. A proposta 115/1995, do deputado Gervásio Oliveira (PSB/AP), está há 13 anos no Parlamento e proporcionará melhor proteção ao Cerrado e à Caatinga, reconhecendo-os como patrimônios nacionais, como já são a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira.