CPI da Pedofilia
Presidente da CPI da Pedofilia na Assembleia Legislativa, o deputado Fábio Sousa (PSDB) acompanhou na tarde desta segunda-feira, 12, os senadores Magno Malta (PR-ES) e Demóstenes Torres (DEM-GO), respectivamente, presidente e relator da CPI da Pedofilia no Senado, que interrogaram em Goiânia, o pedreiro Admar de Jesus Silva, assassino confesso dos seis jovens desaparecidos desde dezembro em Luziânia.
Os parlamentares foram à secretária estadual de Segurança Pública ressaltar o trabalho desenvolvido pela Polícia Civil de Goiás e ouvir a versão do assassino para obter mais informações, a fim de desvendar detalhes do crime e verificar se há mais criminosos envolvidos. Acompanharam o depoimento, o secretário de Segurança Pública, Sérgio Augusto Inácio de Oliveira; e o delegado-geral da Polícia Civil, Arédis Correia Pires.
“A CPI da Pedofilia na Assembleia está à disposição para contribuir com esta questão e outras referentes à pedofilia em Goiás”, afirmou Fábio Sousa. Magno Malta destacou que a atuação da Polícia goiana merece pronunciamento do deputado Fábio Sousa, ressaltando esse trabalho sigiloso e eficaz.
Os senadores ressaltaram o período propício para sensibilizar a sociedade brasileira e as autoridades, a fim de se instituir leis mais rigorosas no combate à pedofilia. “Temos que aproveitar esse momento em que a sociedade está sensibilizada para pedir ao presidente Lula que, com celeridade, sancione a lei que implanta o monitoramento eletrônico dos presidiários”, ressaltou Magno Malta.
“O trabalho da Polícia goiana foi muito bom, o sigilo nas investigações foi fundamental. Sem alarde e foco, conseguiu-se esclarecer o crime. Com as informações que a Polícia conseguiu na elucidação do caso, serão abertas novas investigações”, declarou Magno Malta, ressaltando que, de forma sigilosa, a Polícia prendeu outros dois criminosos pedófilos, sem ligação com esse caso, durante essa mesma investigação.
Demóstenes Torres também fez considerações elogiosas referentes à atuação da Polícia neste caso. O senador goiano destacou os avanços obtidos na legislação, graças ao trabalho da CPI da Pedofilia no Senado, mas lamentou a demora do Governo em sancionar leis mais rígidas, como o monitoramento, já aprovado no Congresso Nacional.
“Infelizmente, o Governo Federal apostou numa política de soltura, de esvaziamento dos presídios. Precisamos de maior rigor na punição desse tipo de criminoso, de leis parecidas com as de países desenvolvidos”, enfatizou.
Demóstenes destacou que Admar é um pedófilo que foi solto após um juiz ignorar um exame criminológico. Este exame apontava o perigo que representava a liberdade do assassino. “Se criminosos como este são soltos e não têm acompanhamento, eles vão criar novas situações. Ao sair dos presídios, eles têm que ter monitoramento”, defendeu.
“A CPI da Pedofilia no Senado vai investigar, acompanhar essa questão de perto. Se ficar claro que o juiz soltou indevidamente este assassino, nós pediremos ao Conselho Nacional de Justiça a punição sobre esse magistrado”, garantiu Demóstenes.
Beneficiado pela progressão de pena por bom comportamento, Admar tinha saído da prisão em dezembro do ano passado. Sete dias depois fez a primeira vítima em Luziânia, onde passou a morar na casa de uma irmã.
Monitoramento
O senador destacou a necessidade de o presidente Lula sancionar o projeto de lei, já aprovado no Congresso Nacional, que prevê o monitoramento eletrônico dos presidiários. “Esperamos boa vontade do Governo Federal, para que seja sancionada, o mais rápido possível, a lei que institui o monitoramento eletrônico no caso de progressão do regime fechado ao semiaberto para presos acusados por crimes hediondos”, afirmou.
Magno Malta endossou essa questão. “Poderíamos ter evitado esse crime se já tivéssemos implantado o monitoramento eletrônico dos presos. Além de ser mais econômico, desafogaria o sistema prisional”.
O senador capixaba lamentou que projetos de lei aprovados no Senado que aumentam o combate à pedofilia ainda estejam parados na Câmara dos Deputados ou aguardando a sanção do presidente Lula.