Segurança nas escolas é tema de debate no Programa Opinião desta segunda-feira
O caso da escola de Realengo, na zona Oeste do Rio de Janeiro, em que um ex-aluno assassinou a sangue frio 12 crianças, reacendeu a discussão em torno da segurança nas escolas. Para debater esse tema, o programa Opinião, da TV Assembleia, convidou o presidente do Conselho Estadual de Educação, José Geraldo de Santana, e o deputado e presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, Major Araújo (PRB). O programa foi gravado na manhã desta segunda-feira, 18, será exibido no site e no canal 8 da NET, ainda hoje às 19 horas e reprisado em horários alternativos na programação da emissora.
Atualmente, Goiás revela dados alarmantes em relação à violência nas escolas. Depois da tragédia no Rio, alunos em Goiás foram flagrados portando armas nas instituições de ensino. Os participantes do programa defendem categoricamente a necessidade de desarmar a sociedade.
José Geraldo afirma que a situação é preocupante, angustiante e reclama por intenso aprofundamento de debate por toda a comunidade. "O Conselho de Educação de Goiás já agendou debate com toda a comunidade, que se iniciará a partir de maio. Vamos ouvir todos os segmentos sociais com a finalidade de baixar uma resolução que possa normatizar de maneira efetiva e segura essa questão."
O deputado Major Araújo acredita que as escolas de regime militar têm maiores condições de estabelecer a disciplina entre os alunos. Já o presidente do Conselho diz que o regime militar priva o ser humano da liberdade.
"Conquistamos, felizmente, em 1988, o Estado Democrático de Direito, que não pode conviver com a intimidação. A disciplina é importante, mas depende dos limites. Disciplina que venha a coibir a liberdade dos alunos não pode ser considerada", afirma José Geraldo de Santana.
O conselheiro acredita que a polícia é fundamental para a segurança da comunidade, desde que fora do ambiente escolar. Para ele, não cabe, nas dependências da escola, a intimidação que o policiamento ostensivo faz. "Não é referencial do Estado Democrático de Direito."
Os participantes revelam também terem sido vítimas de bullying na infância. E acreditam que esse pode ter sido o motivo que levou Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos, a cometer a violência em Realengo.
"Eu fui vítima de bullying, ainda sem saber o que era de fato. Aprendi a superar isso, mas fico imaginando como está a cabeça de uma criança que escuta, nas mídias, os psicólogos falando que essas vítimas podem se tornar monstros. Temos que ter um controle maior sobre isso", alerta o deputado Major Araújo.
"O bullying pode ter sido a causa da violência. Mata profundamente a todos que sofrem. E eu também já sofri. Os atos de violência praticados na escola são hábitos trazidos de casa. A escola não está preparada para combater essa prática", afirma o presidente do Conselho de Educação.
José Geraldo acredita que as escolas precisam de uma equipe multidisciplinar que avalie e conheça as necessidades dos alunos. Além de aplicar exames quantitativos, a instituição de ensino deve procurar conhecer a essência dos alunos através de avaliações qualitativas.
"A partir do momento em que a escola se tornar uma extensão da sociedade, com uma equipe multidisciplinar para conhecer a individualidade de cada um dos seus alunos, tenho certeza de que a realidade será outra e o bullying será apenas uma triste lembrança do passado", diz José Geraldo.
"Está na hora de refletir sobre esse sistema educacional que temos e inserir disciplina nas escolas como forma de prevenir fatos inaceitáveis, como o caso de Realengo", alerta o parlamentar.