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Contra o bullying

05 de Maio de 2011 às 08:25
Audiência proposta pelo deputado Frederico Nascimento cobra de autoridades ações para evitar o bullying.

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte discutiu, durante a tarde desta quarta-feira, 4, a prática do bullying nas escolas. Comandada pelo deputado Frederico Nascimento (PTN), presidente da Comissão, a audiência contou vários questionamentos, além de terem sido apresentadas algumas sugestões. 

O presidente da Comissão apresentou, na ocasião, dois requerimentos referentes ao assunto abordado no encontro. 

O primeiro solicita ao secretário de Segurança Pública, João Furtado, que instale a delegacia de crimes especializados referentes ao âmbito escolar. O segundo requerimento foi enviado ao governador Marconi Perillo (PSDB) e solicita a implantação de detector de metais em escolas e órgãos públicos. 

Com o pronunciamento do conselheiro Aires Francisco de Oliveira, representando o Conselho Estadual de Educação de Goiás, foi encerrada a audiência pública sobre prática do bullying nas escolas. "Nós não toleramos as diferenças, essa é a verdade", declarou.

Para ele, as universidades não preparam professores para conviver com as diferenças. O conselheiro Aires Francisco citou o líder sul-africano Mandela, ao dizer que ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, origem ou religião.

A deputada Isaura Lemos (PDT), membro da comissão e que participou da audiência, sugeriu que fossem instaladas urnas nas escolas para que os próprios alunos possam depositar bilhetes que citem os nomes de quem possa estar sofrendo ou praticando o bullying. “Esta iniciativa seria interessante porque a equipe das redes de ensino estariam sendo informadas sobre os praticantes do ato e as pessoas que consequentemente estariam sendo afetadas, então poderiam agir rapidamente para eliminar esta questão que tem atingido tanto as crianças”, completou a deputada Isaura Lemos.

Antes dele, a professora Luciana Moraes, representante da Faculdade Sul-Americana (Fasam), lembrou que, desde os primórdios, aquilo que destoa do padrão pré-estabelecido é alvo da sociedade, pois desde a antiguidade belo é sinônimo de bom. "E o bullying é a materialização da intolerância", disse ela, que também critica a falta de continuidade da política educacional no Brasil, que muda de quatro em quatro anos.

Já a delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, Ana Elisa Gomes Martins, disse que, embora as pessoas busquem solução na polícia, não há muito o que fazer com relação ao bullying, a não ser medidas punitivas. Ela não responsabiliza crianças e adolescentes pela perda dos princípios morais, mas chama a atenção dos pais para a necessidade de mais envolvimento com os filhos e suas escolas.

O vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiânia (Sepe), Flávio Roberto de Castro, disse que é preciso a conscientização de todos em torno da conscientização da família. Já a psicóloga Maria Betânia Gondim da Costa, doutora em Psicologia Educacional, disse que a escola é a repercussão da vida do aluno em casa e que os professores, em sua maioria, não têm preparo para o acompanhamento psicológico.

A professora Ieda Leal, presidente do Sintego, disse que a escola tem que ser um espaço de verdade, onde o aluno seja feliz e o professor valorizado: "É preciso resolver a violência dentro da sociedade, que não segue mais regras de valores". Para ela, detector de metais, apenas, não resolve.

O presidente do Conselho Estadual de Educação, José Geraldo de Santana, lembra que, em termos constitucionais, a escola é o espaço privilegiado do desenvolvimento da pessoa. "A escola reflete a realidade social, e a medida primeira é a construção de valores, tendo como objetivo a dignidade da pessoa."

O tenente-coronel Wesley Siqueira Borges, comandante do Batalhão Escolar da PM, apresentou a 8ª edição da Cartilha do Batalhão Escolar, que já está sendo distribuída em todas as escolas da rede pública e particular. 

A mesa dos trabalhos foi composta pelos deputados Frederico Nascimento (PTN), Isaura Lemos (PDT), Hildo do Candango (PTB), Sônia Chaves (PSDB), Ademir Menezes (PR), os palestrantes tenente-coronel Wesley Siqueira Borges, comandante do Batalhão Escolar da Policia Militar; Ana Elisa Gomes Martins, delegada titular da delegacia de Proteção à Criança e ao dolescente; José de Santana,  presidente do Conselho Municipal de Educação; e a psicóloga Maria Betânia Gondim da Costa.

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