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Assembleia debateu, nesta manhã, ação das torcidas organizadas

10 de Maio de 2011 às 12:38
Por iniciativa do deputado Carlos Antônio, Assembleia promoveu na manhã desta terça-feira, 10, audiência pública sobre o fim das torcidas organizadas. A maioria dos participantes acha que extinguir as torcidas, como propõe o parlamentar, seria muito drástico, mas todos concordam que falta punição aos infratores.

A Assembleia Legislativa promoveu na manhã desta terça-feira, 10, audiência pública com o tema "Extinção das Torcidas Organizadas", por iniciativa do deputado Carlos Antônio (PSC). O parlamentar apresentou em Plenário projeto de lei que veda a participação dessas torcidas em eventos esportivos em todo o Estado.

O projeto veda ainda a entrada de torcidas uniformizadas e o porte de sinalizadores, rojões, foguetes ou artefatos que contenham pólvora, ou qualquer tipo de arma branca, além de bandeiras, camisas ou outras vestimentas que façam alusão ao nome da torcida organizada.

Carlos Antônio afirmou que o objetivo principal da proposta é combater a violência nas quadras e ginásios e, principalmente, nos estádios de futebol, de modo que os eventos esportivos possam ser frequentados com tranquilidade.

O deputado disse não ser contra a presença de torcidas nos estádios e sim da existência de um grupo que promove o caos nos jogos de futebol. "Nosso debate aqui, hoje, é para que esses grupos não sejam um bando, mas apenas uma torcida."

O deputado Talles Barreto (PTB) também participou da audiência. O parlamentar, que já esteve à frente da administração do Estádio Serra Dourada e da Agência Goiana de Esporte e Lazer (Agel), entende a questão como um fato preocupante e recorrente em todo o País.

Segundo Talles, quando esteve à frente destas administrações, era frequente a existência de problemas ligados à violência. "E a culpa não é da cerveja, da organização ou da Polícia Militar. O que alimenta essa violência é a falta de punição aos infratores. A partir do momento em que o cidadão passar a ser punido, tenho certeza de que vamos avançar neste assunto", enfatizou.

Já coronel Jorge Renato da Costa Azeredo cobrou responsabilidade dos líderes de torcidas para que a única medida de contenção à violência não seja o fim das mesmas. Jorge Renato lembrou que não existe futebol sem torcida e que o espetáculo precisa da mesma. Assim, segundo ele, são necessárias algumas medidas para que a paz possa prevalecer nos estádios.

"Primeiramente, é necessário que o estatuto do torcedor seja cumprido, acabando com a impunidade. Depois, é preciso que as torcidas organizadas se tornem um grupo de torcedores e nada mais, isto é, que sejam organizadas e comprometidas apenas com o espetáculo do futebol", sugeriu.

Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva, Clodomir Ferreira Pimentel concordou com Jorge Renato. O presidente do Tribunal sugeriu que é preciso elaborar um mecanismo que regulamente o que é torcida organizada. "Não acredito que a solução seja proibir de maneira direta a existência de torcidas organizadas", disse. O delegado da Delegacia Estadual de Investigações Criminais, Josuemar Vaz, também defendeu que as torcidas devem ser disciplinadas e não extinguidas.

Ainda se posicionou contra o banimento das torcidas o representante do Ministério dos Esportes, Sérgio Veloso. O representante acredita que existem medidas paliativas que podem solucionar a questão, como o Projeto Torcida Legal, lançado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O representante do Ministério Público (MP), promotor de Justiça Denis Augusto, declarou que medidas judiciais serão aplicadas ao jogador responsável pela briga que deu origem à confusão generalizada no Estádio Serra Dourada no dia 1º de maio, após o jogo entre Vila Nova e Goiás pela semifinal do Campeonato Goiano, que resultou na morte de um torcedor da equipe esmeraldina, de 19 anos, próximo ao estádio. "Isso é para mostrar que a violência deve ser combatida", destaca.

O promotor declarou que, apesar de alguns impasses, o Estado tem cumprido seu papel no sentido de combater a violência nos estádios, mas acredita que a sociedade, principalmente os pais, tem papel fundamental nessa luta. "Será que os pais sabem o que seus filhos andam fazendo? Eles estão marcando brigas pela internet", apontou.

O presidente da Comissão de Esporte da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Simeyzón Oliveira (PSC), também esteve presente e compôs a mesa. Para ele, a falta de uma lei efetiva impossibilita o Poder Público e entidades competentes de agirem com eficácia.

Torcidas

Cleomar Marques de Paula, membro fundador da Torcida Jovem Goiás, disse que os problemas existentes nos estádios não são culpa das torcidas. Segundo ele, a violência está presente na sociedade e cresce a cada dia independente da existência ou não das torcidas organizadas.

Para Cleomar, a culpa é de quem deveria fiscalizar e aplicar o disposto nas Leis e não o faz. "Não precisamos de mais uma Lei em nosso País, já temos o Estatuto do Torcedor, que está aí e nem sequer é cumprido. Os clubes também têm sua parcela de culpa, pois não se preocupam com a questão da violência em suas torcidas e deixam o ônus apenas para a torcida organizada", lamentou.

O líder de torcida organizada do Atlético Clube Goianiense, Mauro Batista, não acha justo jogar todo o contexto da criminalidade em cima das torcidas de futebol. Assim como vários participantes da audiência, Maurão apontou a falta de punição como o principal fator para a violência.

Mesa

Compuseram a mesa da audiência o presidente da Comissão de Turismo da Casa, deputado Talles Barreto (PTB); o autor da proposta, vice-presidente da Comissão de Turismo e presidente da Comissão da Criança e do Adolescente, Carlos Antônio; o comandante do policiamento de Goiânia, coronel Jorge Renato da Costa Azeredo; o promotor de Justiça do Ministério Público, Denis Augusto Bimbate; e o representante do Ministério do Esporte, Sérgio Veloso.

Também participaram da mesa do evento o diretor-geral da Federação Goiana de Futebol, Leonídeo dos Anjos; o presidente do Tribunal de Justiça Desportivo, Clodomir Ferreira Pimentel; o presidente da Comissão de Esporte da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Simeyzón Oliveira (PSC); e o delegado da Delegacia Estadual de Investigações Criminais, Josuemar Vaz.

Representantes da sociedade civil e representantes de torcidas organizadas do Atlético, Goiás e Vila Nova também participaram da audiência.

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