Comissão de Direitos Humanos visita presídio após receber denúncias de maus tratos
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Mauro Rubem (PT), compareceu, nesta quarta-feira, 1º de junho, na Unidade Prisional de Trindade após denúncias de violação dos direitos humanos feitas pelos familiares dos detentos da prisão.
O coordenador da Comissão da Casa, Fábio Fazzion, se reuniu com o diretor da Unidade, Francisco Assis Pires, e com a representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Goiás, Neusa Valadares, para averiguar a situação.
Segundo o diretor, na sexta-feira, 27, um detento desacatou os agentes da Unidade Prisional, tendo, então, suas regalias, como televisão e rádio, retiradas. O detento se revoltou, dando início a toda a confusão que começou às 22 horas do mesmo dia.
“O Grupo de Operações Penitenciárias (Gope) foi acionado para controlar a situação. Foram usadas apenas armas com munições de borracha. Por volta da meia-noite, a confusão terminou”, explicou Francisco Assis Pires.
O diretor também informou que, após o fim da rebelião, vários presos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito. “Nenhum detento teve o nariz quebrado ou a boca cortada. Ninguém encostou em ninguém, só houve tiros com balas não letais.”
Vários familiares dos presos estavam presentes na porta da Unidade Prisional durante a tarde. De acordo com a versão deles, os encarcerados vêm sofrendo abuso de poder, repressão policial, bem como retaliação a todo tipo de reivindicação legal por parte dos internos.
Mãe de um detento, que preferiu não se identificar, garantiu que seu filho foi atingido por uma bala letal, versão que contradiz a do diretor do presídio. “Fui informada pelos próprios agentes que meu filho foi atingido durante a rebelião e teve que fazer uma cirurgia. Disseram que ele está bem, mas que só vou poder vê-lo no final de junho”, disse.
Fábio Fazzion disse que a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia vai ouvir com calma os dois lados para apurar o que realmente aconteceu. “Vamos marcar uma outra visita, dessa vez com o presidente da Comissão, e investigar essas acusações.”