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Lixo radioativo

14 de Junho de 2011 às 18:13
Deputados goianos participam, nesta quinta-feira, 16, de audiência pública na Câmara Federal sobre lixo radioativo.

Os deputados Helio de Sousa (DEM), que é membro da Comissão de Saúde, e Nilo Resende (DEM), confirmam participação, nesta quinta-feira, 16, às 10 horas, na audiência pública a ser realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília, destinada a debater a possibilidade do município de Abadia de Goiás receber o lixo nuclear das usinas de Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro.

A audiência foi proposta pelo deputado federal goiano Ronaldo Caiado (DEM) depois que surgiram boatos de que o lixo radioativo seria levado para o depósito que já abriga os rejeitos do césio 137. Os debates acontecem no Auditório 7, da Câmara Federal.

O deputado Helio de Sousa afirma que a bancada de deputados goianos acompanha a população de Abadia e de todo o Estado e se posiciona contra a vinda do material de Angra. "Não é responsabilidade nossa assumir o lixo radioativo", afirma.

Por enquanto a notícia não é oficial, mas, para Helio de Sousa, é preciso manifestar posição firme, pois o governo federal pode estar apenas testando a reação dos goianos, antes de tomar uma decisão definitiva. "Não podemos aceitar de forma nenhuma. Se é rejeito, não há interesse. Não é responsabilidade nossa."

Presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o deputado Wagner Siqueira (PMDB) afirma que cada Estado tem de cuidar do seu lixo radioativo. "Se tem vantagens, por que ninguém quer?", questiona.

Para o parlamentar, o Governo pode querer se aproveitar da fragilidade econômica do município para que este aceite o lixo em troca de vantagens econômicas. "Temos de trazer é empresas não poluentes para o Estado, como as de informática", sugere. Comenta ainda que, na época do acidente radioativo com o césio, morava em Brasília e os goianos passaram a ser tratados de forma discriminatória na Capital Federal.

O deputado Nilo Resende lembra que o problema começaria já no transporte do material radioativo de Angra para Goiás, já que todas as regiões por onde o carregamento passasse ficariam sob risco. "Ninguém pode garantir que não vai ocorrer um acidente", frisa o parlamentar. Para ele, o Estado do Rio tem condições de construir um depósito tão seguro como o existente em Goiás.

Segundo Helio de Sousa, estará presente na audiência o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, além do deputado federal Heuler Cruvinel (DEM), de Goiás. O secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Leonardo Vilela (PSDB), também foi convidado e há possibilidade de participação do vice-governador José Eliton (DEM) no evento.

O ex-deputado Ayr Nasser reage com veemência à proposta da CNEN de ampliar o depósito radioativo de Abadia de Goiás para abrigar eventuais rejeitos nucleares produzidos no Brasil. "Isso é uma afronta ao povo goiano", diz ele, esclarecendo que o acidente com o césio 137 causou muitos problemas ao Estado de Goiás, especialmente no tocante ao preconceito.

Deputado da 15ª legislatura, Ayr Nasser, que é médico, explica que do ponto de vista legal não é possível transformar o município de Abadia de Goiás em depósito definitivo de rejeitos.

Ele lembra que a Assembleia Legislativa já aprovou um projeto de sua autoria regulamentando esta questão, destacando que o principal objetivo foi incluir na legislação um artigo proibindo que o Estado de Goiás receba qualquer outro tipo de lixo radioativo. "O depósito é exclusivo para os rejeitos do césio 137."

Definitivo

Abadia de Goiás, a menos de 30 quilômetros da capital, é sede do depósito nacional de lixo nuclear. O local abriga cerca de 6 mil toneladas de rejeitos do césio 137, resultantes de acidente ocorrido em 1987, em Goiânia.  É um depósito definitivo que armazena lixo nuclear de baixa e média intensidade até 2018.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear tem intenção de ampliar o depósito em Goiás. Com isso, o local passaria a receber lixo nuclear provenientes das usinas de Angra 1 e 2, do Rio de Janeiro. O lixo radioativo de baixa e média intensidade inclui resinas, elementos da água utilizados para esfriamento do reator, restos de luvas, filtros, tecidos e outros objetos que foram contaminados nas usinas.

Se o depósito deu à cidade de Abadia de Goiás, nos primeiros tempos certa discriminação, trouxe também notoriedade e renda. A União paga R$ 28 mil a cada três meses para o município, de 7 mil habitantes, por abrigar o depósito.

A unidade da CNEN instalada em Abadia recebe 10 mil visitas por ano. Com o terremoto ocorrido no Japão em março, que danificou uma usina nuclear causando contaminação radioativa em uma grande área, a curiosidade e o número de visitas ao depósito de Abadia aumentaram.

No centro de Goiânia, onde o acidente do césio 137 aconteceu, resta um terreno vazio, com piso de concreto, e a promessa de um museu sobre o acidente.

 

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