Mauro Rubem pede abertura de canal de diálogo com Ministério da Saúde
Prossegue desde as 14h30 desta segunda-feira, 20, no Auditório Costa Lima, audiência pública destinada à discussão sobre a saúde de trabalhadores intoxicados da Funasa e do Ministério da Saúde.
Convidada a fazer parte da composição da mesa, a superintendente da Funasa, Márcia Freire, afirmou que vai levar as reivindicações dos trabalhadores à presidência do órgão que representa. “Vamos encaminhar um comunicado à presidência da Funasa, e aguardar uma definição”, afirmou.
Ministério da Saúde
Em seguida, o deputado Mauro Rubem solicitou à representante do Ministério da Saúde, Ilma Aparecida Braga, a abertura de canal de diálogo direto junto ao Ministério da Saúde, no sentido de sanar o problema dos trabalhadores intoxicados. “Em momento algum, aceitarei menos do que a República garante aos trabalhadores. Reitero a necessidade de o Ministério da Saúde tratar desse problema”, disse o parlamentar.
Em resposta, Ilma Aparecida argumentou que o Ministério reconhece o trabalho daquelas pessoas e sua contribuição no combate a doenças, como a malária e a doença de Chagas. “Esse trabalho desenvolvido pelos trabalhadores de campo é reconhecido. Talvez o trabalhador não sinta esse reconhecimento no dia a dia, mas o combate às endemias no Brasil é reconhecido internacionalmente”, afirmou.
A especialista explicou que todo inseticida possui um grau de segurança. “É importante que tenhamos em mente o cuidado no uso da proteção. Nos últimos três anos, o Ministério tem investido em cursos para ensinar como utilizar. O uso de inseticidas é algo que necessita de um controle.
Ilma reiterou ainda que sua função é encaminhar as reivindicações ao Ministério e demais órgãos do Governo. “Comprometo-me a chegar a Brasília nesta terça-feira, entregarei relatório a chefia imediata, que será o secretário da Saúde, que depois encaminhará ao ministro”, concluiu.
Toxicologia
Finalmente, a professora Eloísa Ferreira Pacheco, da UFRJ, que é médica, falou sobre as atividades de pesquisa em toxicologia que desenvolve no Ambulatório de Toxicologia da universidade carioca. “Nosso ambulatório é um campo para capacitação de profissionais na área de toxicologia. Temos feito cursos de capacitação para gestores, médicos e enfermeiros”, explicou.
Em seguida, a médica explicou que agrotóxicos organoclorados, como o DDT, podem provocar problemas digestivos, endócrinos e neurológicos nos organismos contaminados. “O DDT é uma molécula tóxica, potencialmente danosa ao meio ambiente e ao organismo”, alertou.
Eloísa também apresentou um importante estudo da Funasa sobre a intoxicação de trabalhadores, realizado em 2001. ”Do grupo de trabalhadores avaliados pela Funasa, 90,1% apresentaram neuropatia periférica; 60%, fraqueza muscular; e 69,3%, queixas reumatológicas”, elencou. “O estudo também concluiu que os resultados de resíduos de DDT registrados na população estudada são indicativos de exposição ocupacional antiga”, acrescentou.
O relatório também apontou que as atividades realizadas pelos trabalhadores se configuraram como claramente insalubres, o que caracteriza situação de trabalho adversa e de não normalidade. Dentre as propostas de combate ao problema recomendadas pela médica, figuram o afastamento imediato dos intoxicados dos locais de trabalho que contenham substâncias químicas, aposentadoria por invalidez acidentária e disponibilização de suporte técnico-administrativo completo para trabalhadores que se encontrem em tratamento. “O Governo e o Ministério da Saúde devem ter um compromisso ético para com vocês”, finalizou.