Endividamento
A Comissão de Direitos do Consumidor promoveu nesta segunda-feira, 27, audiência pública para debater o alto índice de endividamento da população. O objetivo da audiência era apontar as causas, levantar soluções e conscientizar a população a respeito desse problema. O deputado Lívio Luciano (PDMB), presidente de Comissão, acredita que “apenas conscientizando sobre a gravidade do endividamento nós poderemos sanar essa situação”.
Esse ponto foi ressaltado também pelo professor e representante do Conselho Regional de Economia, Aurélio Ricardo Trancoso, realizador de uma pesquisa que levantou quatro pontos principais que causaram a epidemia do super endividamento: a facilidade do crédito, a alta taxa de juros, o aumento da renda (principalmente da classe C) e a falta de planejamento financeiro familiar. “Nós tivemos, de 1993 pra cá, uma estabilidade econômica, e junto com essa estabilidade veio uma coisa boa que é a facilidade do crédito”, afirmou Aurélio.
A facilidade do crédito e as altas taxas de juros foram amplamente discutidas pelos componentes da mesa. A respeito dessa facilidade, Valcedir Vicente Rosa, gerente-geral da Caixa Econômica Federal acredita que “a disponibilidade do crédito não vai reduzir. O crescimento do crédito vai acontecer, o que deve ser feito é uma conscientização para a gestão desse crédito”.
Esse ponto de vista é compartilhado pelo promotor de justiça do Ministério Público de Goiás (MP-GO), Érico de Pina Cabral, que acredita que a população deve ser ensinada a gerir o crédito a partir de uma educação financeira, que já deveria começar no ensino fundamental. “O crédito é necessário, mas tem que ser usado de maneira inteligente”, disse. Ele acredita ainda que a população é conduzida pelo marketing do consumo. Para ele, “o consumidor é seduzido por esse marketing e é levado a se endividar. A responsabilidade do consumidor nisso é mínima”.
Valcedir Rosa ressaltou que as pessoas procuram o crédito para realizar seus sonhos. “Nós queremos trabalhar com as pessoas para que elas gerenciem melhor seus sonhos”. Presente na audiência, a presidente da Associação das Donas de Casa, Maria das Graças Santos, acrescentou: “Não adianta você ter um sonho e depois ele se transformar em um pesadelo”. “Quando a família está desestruturada financeiramente tudo passa a andar mal”, finalizou.
Em sua fala, Aurélio Trancoso lamentou a escassez de presentes na audiência. Para ele, “esse auditório deveria estar lotado, para aprender com os profissionais da área que estão aqui como sair dessa situação. Mas essas pessoas não aparecem, elas até têm vergonha de dizer que estão endividadas.”
Gleidson Tomaz, gerente de pesquisa e cálculo do Procon-GO, finalizou lembrando que o órgão oferece cartilhas para que o consumidor tire suas dúvidas e saiba seus direitos, além de modelos de planos para que as famílias realizem seus planejamentos financeiros.