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Oposição aguarda audiência para se manifestar sobre Fundo do Judiciário

28 de Junho de 2011 às 17:27

Representantes da bancada de oposição da Assembleia Legislativa anunciaram, após reunião no Auditório Solon Amaral, nesta terça-feira, 28, que vão aguardar a audiência pública sobre o projeto de lei que prevê divisão de recursos do Fundo Especial de Reaparelhamento e Modernização do Judiciário (Fundesp), para se posicionar sobre a matéria. O debate será realizado amanhã, a partir da 13h30, no Auditório Costa Lima da Casa.

"Todos nós somos defensores da autonomia dos Três Poderes, mas vamos aguardar a audiência pública de amanhã para nos posicionarmos e, então, votarmos em bloco a proposta do Governo", disse Wagner Siqueira (PMDB). Além do parlamentar peemedebista, participaram da reunião os colegas de partido Daniel Vilela, Bruno Peixoto, Lívio Luciano, e, ainda, Francisco Gedda (PTN) e os petistas Luis Cesar Bueno, Humberto Aidar, Karlos Cabral e Mauro Rubem.

A matéria

A matéria, lida no Plenário na última terça-feira, 21, prevê que 30% dos valores arrecadados com prestação de serviços e taxas judiciais sejam repassados aos órgãos do Executivo e ao Ministério Público.

O ofício-mensagem da Governadoria, registrado no Poder Legislativo sob o processo de nº 2.544/2001, informa que a propositura é originária da Procuradoria Geral do Estado. De acordo com o texto, os recursos financeiros arrecadados com taxas relativas aos serviços, taxas, custas e emolumentos de serventias judiciais e extrajudiciais que compõem o Fundesp-PJ, criado pela Lei nº 12.985/96, poderiam ser divididos.

"Trata-se, aqui, de cifras das mais expressivas. Fazendo-se alusão a apenas um dado objetivo, sabe-se que, no exercício financeiro de 2010, o Fundesp recebeu quantias que montam a quase R$ 180 milhões. A maior parte dessa vultosa arrecadação é produto do recolhimento da taxa judiciária, de custas e de emolumentos", relatou o documento.

O ofício-mensagem indica que o Fundesp teria permitido visível melhoria do aparelhamento e funcionamento do Judiciário goiano, como a reforma, construção e ampliação de prédios e informatização de serviços. Todavia, o processo cita a Constituição de 1988 ao informar que as funções essenciais à Justiça também são exercidas pelo Ministério Público, advocacia pública e defensorias públicas. O texto também se refere à existência de órgãos do Executivo vinculados às funções judiciárias, como polícia e administração da execução penal.

"A manutenção e o apropriado aparelhamento das unidades organizacionais que compõem esse complexo aparato consistem em dever dos mais custosos, que envolvem a necessidade de aplicação de numerosos recursos materiais e humanos, reconhecidamente escassos na vida estatal brasileira. No ponto, é sempre valiosa lembrança de que a situação fiscal de Goiás, neste momento, não permite alocação, em medida porventura suficiente, de recursos advindos da arrecadação de impostos e outras fontes de receitas, para permitir um verdadeiro incremento das condições de funcionamento e atuação do Ministério Público, da Procuradoria Geral e da Defensoria Pública do Estado, dos órgãos e unidades da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Justiça, e da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal", argumentou o governador Marconi Perillo, no processo.

O ofício-mensagem reuniu decisões do próprio Judiciário, em particular um voto do ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, no qual defende que não haveria impedimento na repartição dos recursos, vez que as funções essenciais à Justiça "não atinam direta ou indiretamente com os órgãos do Poder Judiciário".

O teor do processo em questão pode ser acessado aqui.

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