Mais Médicos
Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o deputado Mauro Rubem (PT) fez avaliação positiva da audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira, 21, no Auditório Solon Amaral, para debater o Pacto Nacional pela Saúde do Governo Federal, dentro dos programas Mais Saúde e Mais Médicos. “Acredito que os debates travados aqui vão contribuir para a construção desejada do Sistema Único de Saúde (SUS)”, frisou.
Mauro Rubem revelou ter ainda alguma incerteza quanto às gestões da presidente Dilma Roussef (PT), acerca da saúde pública do País, mas manifestou otimismo com relação ao planejamento do Ministério da Saúde, apresentado na reunião pela presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro Souza. O parlamentar sugeriu a criação de uma carreira única multiprofissional de Estado com vistas a uma melhor valorização do profissional da área de saúde.
A reunião foi iniciada com a composição da mesa diretiva dos trabalhos e além do propositor participaram: o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Venerando Lemes de Jesus; presidente da Comissão de Direito Médico Sanitário e Defesa a Saúde da OAB-GO, Ana Lucia Amorim; presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás, Erso Guimarães; representante do Sindisaúde, Flaviana Alves; e a coordenadora do Programa Mais Médicos, representando a Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, Érica Rocha. O evento contou com a presença dos demais representantes da sociedade civil organizada e interessados em geral.
Representantes de entidades ligadas ao setor destacaram a relevância da discussão proposta pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia, deputado Mauro Rubem (PT). “A partir de agora, ou colocamos os termômetros da saúde nos trilhos ou não sabemos onde isso vai parar”, disse o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Venerando Lemes de Jesus.
A coordenadora do Programa Mais Médicos, representante da secretaria municipal de saúde de Aparecida de Goiânia, Érica Rocha, revelou que o Programa é muito recente e ainda está em fase de adaptação. “Estamos trocando a roda com o carro andando", brincou.
Segundo a presidente da Comissão de Direito Médico Sanitário e Defesa da Saúde da OAB-GO, Ana Lucia Amorim, a OAB de Goiás ainda não tem opinião externalizada sobre o Programa Mais Médicos. Já a representante do Sindisaúde, Flaviana Alves, ressaltou que os sindicalistas estão na luta para buscar caminhos para consolidar melhor o SUS.
Erso Guimarães, presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás, salientou que a discussão do tema "Mais Médicos" passa primeiro pela discussão da quantidade de médicos. Segundo ele, a população total do país gira em torno dos 300 milhões de habitantes e atualmente são registrados no CRM 380 mil médicos. “Isto significa que temos um médico para mil pacientes aproximadamente, o que está dentro das normas, segundo a Organização Mundial de Saúde. Temos a quantidade suficiente”, disse.
O presidente do CRM revelou ainda que o problema não é a falta de médicos. “O problema é a falta de interesse do médico em trabalhar na questão básica, é a falta de interesse de se deslocar dos grandes centros”, pontuou. "Para isso deve haver investimento do Poder Público, que ‘paga mal' aos profissionais da saúde", concluiu.
Politização
“Temos o papel de politizar o que vem acontecendo e apontar possíveis caminhos”, disse a presidente do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro Souza, durante a audiência pública. Após a explanação dos dados que Maria do Socorro apresentou, foi a vez do presidente da Associação Médica Nacional Dra. Maíra Fachini, Wesley Caçador Soares, se pronunciar.
Maria do Socorro Souza pontuou que a crise na saúde não é de hoje. “Em 1975, as pessoas morriam e não havia atestado de óbito por falta de médico”.
Entre as ações do movimento que Maria do Socorro representa podem ser destacadas duas providências. “Queremos triplicar o valor de investimento do governo Federal à saúde, e ter um plano de cargos e salários para todas as profissões da saúde”, concluiu.
Wesley Caçador fez demonstração de dados acerca da saúde pública no Brasil e sobre o Programa Mais Médicos. “O Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde, que prevê mais investimentos em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez e ausência de profissionais”.
No final, o parlamentar abriu espaço para questionamentos dos demais participantes do evento.