Representante de empresa afirma que vitimas foram socorridas em Rio Verde
Fazendo uso da palavra, durante audiência pública que discute situação de alunos contaminados por agrotóxicos em Rio Verde, Luís Carlos de Sousa, representante da Agrotec, responsabilizada pela contaminação, afirmou que desde maio a empresa vem tentando auxiliar as vítimas da escola localizada próximo ao assentamento São José do Pontal.
"Posteriormente, foi descoberto que a água naquela localidade estava contaminada, mas não por agrotóxicos, e sim, por coliformes fecais. Infelizmente, por um erro do projeto, essa água foi utilizada posteriormente", disse.
"Hoje, temos 29 processos, cada qual exigindo R$ 6 milhões. Existem pessoas idôneas dentre os solicitantes, mas também há casos de indivíduos oportunistas, que aproveitam-se da situação. Nós, como empresa, se vendermos todo o seu patrimônio, não conseguiremos cobrir o valor total das indenizações", concluiu.
Em resposta, o diretor da Escola Municipal São José do Pontal, Hugo Alves dos Santos, pediu uma iniciativa concreta do Poder Público em benefício das crianças atingidas. "Até hoje, vejo estudantes da escola que passam mal frequentemente. Percebo que o direito dessas crianças atingidas não foi contemplado até hoje. Peço à senadora (Ana Rita (PT), presidente da Comissão de direitos Humanos do Senado Federal, que participa da audiência), que tome as providências cabíveis para a realização dos exames necessários", afirmou.
Em seguida, dois pais de alunos atingidos fizeram um desabafo sobre os problemas de saúde causados pela contaminação. "Pedimos, pelo amor de Deus, que alguém venha nos ajudar. Minha filha, antes saudável, não é mais a mesma pessoa", denunciou um pai de aluno.
Anísia de Andrade dos Santos, mãe de um aluno atingido, disse que seu filho sofre com problemas renais, em decorrência da contaminação. Ela também criticou a negligência dos hospitais que não apresentam a solução adequada para os estudantes.
Outra mãe de aluno, Luciene Ferreira de Sá, pediu socorro para o tratamento das crianças vitimadas, citando o exemplo de seu filho de 9 anos: "Ele hoje sofre com constantes dores de cabeça, e também com um pigarro crônico em sua garganta".