Anvisa e Ministério da Saúde afirmam que vítimas de Rio Verde estão sendo assistidas
Componente da mesa diretiva da audiência pública que ocorre desde as 9 horas desta terça-feira, 29, no Auditório da Câmara de Vereadores de Rio Verde, representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Saúde fizeram uma análise do acidente ocorrido em escola daquela cidade. Segundo eles, as vítimas estão sendo acompanhadas pelos órgãos competentes.
Para a especialista em regulação em vigilância sanitária da Anvisa, Heloísa Rey Farza, houve claramente uma intoxicação aguda e efetiva dos alunos que foram as vítimas. "A contaminação da área de plantação localizada próxima à escola deu-se pelo fato de o produto ter sido aplicado por meio de pulverização aérea. O produto utilizado não poderia ter sido aplicado desta forma."
Ela também revelou que a toxicologia clínica é uma especialidade médica ainda pouco desenvolvida no Brasil, o que justificaria a ausência de pessoal adequado para prestar assistência às vítimas do acidente.
Já o representante do Ministério da Saúde, Carlos Augusto Vaz de Souza, revelou que o acompanhamento da saúde das vítimas está sendo realizado, em ação conjunta dos órgãos de saúde das três esferas (municipal, estadual e municipal).
Ele lembrou que o Governo Federal está promovendo ações que possam coibir o uso de agrotóxicos, através do Plano Nacional de Agroecologia. "Como membro do Ministério da Saúde, posso dizer que, uma das metas do plano é revisar a legislação brasileira, no sentido de limitar o uso de agrotóxicos."
Crime
O procurador da República no município de Rio Verde, Lincoln Meneguim, sugeriu a adoção de novas formas de incentivo à formação de mais especialistas em toxicologia. "Nas especialidades existentes em cada área da saúde, temos de buscar um maior incentivo à formação de profissionais especializados em toxicologia."
Coordenador da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Marciano Toledo da Silva classificou como criminosa a contaminação dos alunos de Rio Verde: "O que aconteceu aqui não foi um acidente, foi um crime".
Segundo Marciano, mais do que nunca, é preciso reconhecer que a produção da cidade baseia-se meramente no lucro. "Devemos nos perguntar: o que realmente aconteceu em Rio Verde? Quais foram as condições dadas às famílias de assentados? Nunca vi um representante do Incra trazer sua versão sobre as condições dadas a essas comunidades. Por que se arrendam as terras? Por que se pulveriza grandes extensões de lavoura? Devemos ter a resposta para essas questões", disse.