Diretor da Faculdade de Direito da UFG discursa sobre combate à escravidão
Da tribuna, o diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), Pedro Sérgio dos Santos, propôs uma reflexão sobre da Campanha da Fraternidade deste ano, que trata da liberdade e do combate á escravidão.
O orador, que também é membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Goiânia, lembrou que a campanha acontece sempre com o início do período da Quaresma - os 40 dias que antecedem a Páscoa. E sempre teve como objetivo promover o diálogo entre sociedade e Igreja, desde sua criação nos anos 60, quando então havia sido concebida por Dom Hélder Câmara.
"Neste ano, a Igreja escolhe o tema da liberdade, e o tema do combate ao tráfico de pessoas, pois como foi dito 'para a liberdade Cristo no libertou'. O traficante é aquele que dentro do crime organizado visa ao lucro, e se organiza de tal maneira que ele enxerga apenas o lucro", afirmou.
Pedro Sérgio criticou, ainda, projetos oriundos do Governo Federal que procuram regulamentar a prostituição no País, argumentando que essas medidas, ao invés de coibir, vão incentivar ainda mais exploração sexual. Ele atacou, ainda, a situação dos médicos cubanos que "encontram-se em situação de escravidão no Brasil", afirmou.
O diretor da faculdade de Direito também se disse contrário à possibilidade de privatização de presídios, já aventada por parlamentares da esfera federal. "A privatização do setor de segurança vai tratar o ser humano como mercadoria", disse.
Padro Sérgio revelou que foi orientador de um mestrando cuja tese enuncia que Goiás lidera o ranking nacional no fornecimento de mulheres destinadas ao tráfico internacional de prostituição. "A sociedade tem que ter a dignidade de levantar a bandeira de dizer 'não' a essas políticas que incentivam a escravidão", concluiu.