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Campanha da Fraternidade

10 de Março de 2014 às 22:04
Assembleia realizou sessão solene dedicada à Campanha de 2014. A iniciativa partiu dos deputados Humberto Aidar e Mauro Rubem.

A Assembleia Legislativa realizou, na noite desta segunda-feira, 10, no Plenário Getulino Artiaga, sessão solene para apresentação da Campanha da Fraternidade de 2014. Trata-se de iniciativa conjunta dos deputados Mauro Rubem e Humberto Aidar, ambos do PT.

A Campanha da Fraternidade de 2014 tem como tema: “Fraternidade e Tráfico Humano”.

 Humberto Aidar

 Da tribuna, um dos autores da propositura da sessão solene desta noite, o deputado Humberto Aidar (PT), discursou sobre a Campanha da Fraternidade deste ano.

Humberto Aidar iniciou seu discurso afirmando que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foi feliz em escolher a temática da Campanha da Fraternidade de 2014. "Neste ano, a escolha não poderia ser outra, e trata da fraternidade e tráfico humano, com o lema: É para a Liberdade que Cristo no Libertou", disse.

O parlamentar explicou que, segundo definição da Organização das Nações Unidas (ONU), o conceito de tráfico humano compreende o recrutamento, transporte, transferência ou recolhimento de pessoas, recorrendo-se à ameaça ou outras formas de coação.

Em seguida, o petista destacou que, mesmo após mais de 120 anos após a abolição da escravatura no Brasil, mais de 25 mil pessoas ainda encontram-se em condições hediondas de trabalho escravo em todo o território nacional.

O parlamentar também criticou o problema da escravidão branca, que promove a prostituição forçada de centenas de mulheres brasileiras. "Aqui em Goiás, mesmo, muitas mulheres enganadas foram para a Europa, atrás de um emprego e, na verdade, acabaram sendo exploradas sexualmente", salientou.

Humberto Aidar refletiu, ainda, sobre o papel da Igreja na reivindicação por melhores oportunidades para toda a população, em particular, a conquista de direitos fundamentais, tais como saúde, educação e moradia.

"Este é o tempo de dar um basta definitivo a essas mazelas. A CNBB determinou que é hora de acabar com esse problema", concluiu.

 Mauro Rubem

Coautor da propositura da sessão solene desta noite, o deputado Mauro Rubem (PT) refletiu sobre a Campanha da Fraternidade 2014, promovida pela Confederação Nacional dos Bispos (CNBB). A campanha deste ano tem como tema "Fraternidade e Tráfico Humano", com o lema: "É para a Liberdade que Cristo nos Libertou".

O petista, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa, afirmou que o tráfico de pessoas representa um dos maiores atentados à dignidade da pessoa humana.

"Muitos levantam a palavra em favor da liberdade, mas no Congresso, parlamentares se recusam a votar a PEC do trabalho escravo", criticou.

"Quando falamos em tráfico de pessoas, denunciamos um mal que transforma pessoas em coisas e objetos", disse o petista, que acredita na existência de trabalhadores vivendo em condições de trabalho análogas às da escravidão em Goiás, especialmente em lavouras produtoras de cana-de-açúcar destinadas à produção de álcool. Diante desse quadro, o petista defendeu a desapropriação de terras onde for verificada a incidência de trabalho escravo.

Mauro Rubem também procedeu ao relato de casos de prostituição, envolvendo o tráfico ilegal de mulheres goianas para países europeus como a Espanha.

"O mundo que queremos é o mundo da liberdade, onde cada ser humano possa viver plenamente. Que todos nós sejamos semeadores desta campanha", concluiu.

Pedro Sérgio dos Santos

O diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), Pedro Sérgio dos Santos, propôs uma reflexão sobre da Campanha da Fraternidade deste ano, que trata da liberdade e do combate á escravidão.

O orador, que também é membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Goiânia, lembrou que a campanha acontece sempre com o início do período da Quaresma - os 40 dias que antecedem a Páscoa. E sempre teve como objetivo promover o diálogo entre sociedade e Igreja, desde sua criação nos anos 60, quando então havia sido concebida por Dom Hélder Câmara.

"Neste ano, a Igreja escolhe o tema da liberdade, e o tema do combate ao tráfico de pessoas, pois como foi dito", disse. "O traficante é aquele que dentro do crime organizado visa ao lucro, e se organiza de tal maneira que ele enxerga apenas o lucro", acrescentou.

Pedro Sérgio criticou, ainda, projetos oriundos do Governo Federal que procuram regulamentar a prostituição no País, argumentando que essas medidas, ao invés de coibir, vão incentivar ainda mais exploração sexual. Ele atacou, ainda, a situação dos médicos cubanos que "encontram-se em situação de escravidão no Brasil", afirmou.

O diretor da faculdade de Direito também se disse contrário à possibilidade de privatização de presídios, já aventada por parlamentares da esfera federal. "A privatização do setor de segurança vai tratar o ser humano como mercadoria", disse.

Padro Sérgio revelou que foi orientador de um mestrando cuja tese enuncia que Goiás lidera o ranking nacional no fornecimento de mulheres destinadas ao tráfico internacional de prostituição. "A sociedade tem que ter a dignidade de levantar a bandeira de dizer a essas políticas que incentivam a escravidão", concluiu.

Padre Antônio Nascimento

Representante do Arcebispo Metropolitano de Goiânia, Dom Washington Cruz, o coordenador de pastoral da Arquidiocese de Goiânia, padre Antônio Nascimento, refletiu sobre a liberdade humana à luz do Evangelho.

"A Campanha deste ano nos chama a lutar contra toda forma de escravidão e, no nível mais elevado de vida cristã, conseguimos erradicar toda e qualquer forma de escravidão", refletiu, procedendo em seguida à leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas, pertinente ao assunto em tela.

O religioso lembrou de uma recente reflexão do Papa Francisco, na qual o Sumo Pontífice adverte para o fato de que o ser humano encontra-se constantemente assediado pela miséria moral, espiritual e material, males a serem sempre - e energicamente - combatidos.

O padre criticou, ainda, o que chamou "mercenários da fé” os líderes religiosos que usurpam a palavra de Deus em nome da mentira e da manipulação.

"A exploração e a escravidão vêm cada vez mais consolidando-se no país, de uma maneira que serve mais às potências do Inferno do que à liberdade anunciada por Cristo", criticou.

"Que Cristo nesta Páscoa nos dê a alegria, e nos dê a força necessária para sermos libertos de nós mesmos", disse o padre Antônio Nascimento, convidando a todos a participarem de um momento de oração.

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