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Celg em debate

11 de Março de 2014 às 12:37
Audiência reúne autoridades nesta 3ª feira para debater a Celg. Simeyzon Silveira propõe fórum permanente de discussões.

A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás sediou, hoje, no Auditório Costa Lima, audiência pública, proposta pelo presidente da Comissão de Minas e Energia da Casa, deputado Simeyzon Silveira (PSC). A conferência debateu a destinação de recursos da Companhia Energética de Goiás (Celg).

Fizeram parte da mesa de debates, além do parlamentar, o deputado Júlio da Retífica (PSDB); o presidente da Celg Distribuição, Leonardo Lins de Albuquerque; o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Goiás, Fernando Krebs; o diretor administrativo da Stiueg, Eliomar Palhares e o superintendente de fiscalização econômico Financeira da Aneel, Antônio Araújo da Silva.

A mesa foi composta, também, pelo vice-presidente da Faeg, Bartolomeu Ferreira; o representante da Câmara de Dirigentes Lojistas do Estado de Goiás, Euclides Barbo Siqueira; o presidente do Sindilojas, José Carlos Palma Ribeiro e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, Pedro Alves de Oliveira.

Durante a abertura dos trabalhos, Simeyzon destacou que a audiência acontece em um momento importante no qual ocorre uma tentativa de recuperação da Companhia. “O importante é sairmos daqui com encaminhamentos que possam colaborar com esse projeto”, disse. O parlamentar afirmou ainda, que tanto ele, como as autoridades presentes, o Executivo e o Legislativo têm a responsabilidade de encontrar um caminho, em vez de ficar ressaltando erros do passado.

Ainda durante a abertura da reunião, Simeyzon propôs a criação de um fórum permanente de discussões das questões da Celg. “Este fórum tentaria, entre outras coisas, despolitizar as questões da Companhia. As entidades envolvidas neste fórum têm a capacidade de opinar em todas as decisões que envolverem a Celg, inclusive nos projetos que a esta Casa chegarem”, disse.

Discussões

 

O presidente da Celg Distribuição, Leonardo Lins de Albuquerque, destacou que a Companhia está em um processo de transferência de controle acionário, período no qual existe uma série de ações e cronogramas sendo realizados. De acordo com ele, diante das medidas que estão sendo tomadas, a Celg já no último ano apresentou um pequeno lucro.

Quanto à qualidade do serviço prestado pela Celg, Leonardo Lins destacou que 2013 foi um ano de melhorias. “Conseguimos sustentar um padrão de qualidade o qual vinha sendo degradado ano a ano, o que significa uma inversão de caminho. E para 2014 temos um programa de investimento o qual colocará a Companhia em uma rota de melhoria estrutural que resultará, consequentemente, na melhoria dos serviços prestados”.

Para o promotor de Justiça, Fernando Krebs, a atual situação da Celg é o resultado de uma série de desmandos. Krebs disse que a Companhia teve uma piora acentuada em seus serviços, sendo considerada uma das piores do Brasil. “Até mesmo o método de faturamento do consumo das residências era feito de maneira escandalosa quanto aos valores. A empresa patrocinava piloto de corrida no exterior. Privatizou seu bem mais rentável. Por isso e inúmeras outras coisas é que a Companhia quebrou”, acentuou o promotor.

O representante do Ministério Público disse que apesar dos recursos que frequentemente são destinados à Companhia, isso não é garantia de melhoria. “Se a Assembleia não conseguir fiscalizar estes gastos, se o governo não atuar de maneira responsável, e principalmente não houver uma gestão eficiente na empresa, a Celg continuará sendo uma ameaça ao desenvolvimento do Estado e a conta endereçada ao povo Goiano”.

O deputado Júlio da Retífica (PSDB) lembrou a venda da Usina de Cachoeira Dourada como um dos fatores que contribuiu para as dificuldades sofridas pela Companhia Energética de Goiás. O parlamentar destacou, que apesar disso, o grande crescimento do Estado nos últimos 20 anos e disse que o mesmo se dá em resultado ao investimento feito durante este período. Segundo o deputado, todo este crescimento demanda, principalmente, energia elétrica e por consequência, os serviços da Celg. “Se não tivessem sendo feitos investimentos, nada disso estaria acontecendo. E para continuar nesta ascensão, novos aportes devem ser realizados na empresa”, enfatizou.

O presidente da Federação de Indústria do Estado de Goiás, Pedro Alves de Oliveira, destacou que o setor industrial é um dos que mais tem sofrido com a crise na Celg. Segundo o presidente, “o Programa Fomentar, criado na administração Iris Rezende, e sua continuação, no Governo Marconi Perillo, com o nome de Produzir, proporcionaram o grande salto de crescimento do Estado de Goiás, que hoje é considerado desenvolvido industrialmente”.

Pedro Alves ressaltou que o crescimento do Estado não foi acompanhado pela companhia energética responsável pelo abastecimento local, causando um entrave neste desenvolvimento. “Indústrias estão sendo obrigadas a investir em geradores no lugar de aumentar sua capacidade produtiva. Estão privadas quanto ao processo contínuo de produção, produtos são perdidos com a falta de energia, entre inúmeros outros fatores”, destacou.

O vice-presidente da Faeg, Bartolomeu Ferreira, ressaltou a importância do Estado de Goiás para o Brasil na área da agropecuária. “Nenhum país do mundo possui um Estado tão competitivo como o Estado de Goiás neste setor. Mas ao mesmo tempo, nenhum lugar no mundo passa por tanta dificuldade na sua produção, disse.

Temos problemas para escoar a produção, com distâncias longas e vias precárias que encarecem os produtos. E no caso do setor de energia, não tem sido diferente. Precisamos de fornecimento de energia com eficiência, porém o que acontece é que estamos somente sendo atendidos sem poder crescer”, disse o vice-presidente da Faeg.

Bartolomeu pontuou que são situações que demandam atenção. “O problema está na gestão, pois energia o Estado tem para oferecer das mais diversas formas. É passada a hora de investir e acabar com essa situação que vem encarecendo nossos produtos e limitando nossa produção. O setor do agronegócio está crescendo as custas do produtor, lhe tirando a competitividade por falta de infraestrutura”, concluiu.

O representante da Câmara de Dirigentes Lojistas do Estado de Goiás, Euclides Barbo Siqueira, disse que a Celg é vital para o Estado e ressaltou que o mesmo já cresceu tudo que tinha para crescer com a atual infraestrutura. “Sem um investimento em infraestrutura, principalmente na Celg o Estado e sua economia deixará de evoluir”, enfatizou.

Quanto à criação do fórum permanente de discussões das questões da Celg, proposto por Simeyzon, o representante da Câmara de Dirigentes Lojistas do Estado de Goiás se disse apoiador da ideia. “É fundamental para que possamos defender os interesses e expor nossas dificuldades em relação a esta questão da crise energética no Estado”.

O presidente do Sindilojas, José Carlos Palma Ribeiro, ressaltou que em seu setor os empresários também vêm encontrando dificuldades. “E não queremos apenas cobrar, mas colaborar com sugestões. E neste sentido a criação do fórum é fundamental para o nosso setor”, acentuou.

O superintendente de fiscalização econômico financeira da Aneel, Antônio Araújo da Silva, que, disse que investir é simplesmente o equilíbrio que se busca na prestação de serviços públicos e que se os gastos são maiores que a arrecadação, algo vai mal. “Esta é uma questão que nos preocupa, já que o resultado deste quadro é a diminuição da qualidade do serviço prestado”, destacou.

Quanto a atual situação da Celg, Antônio Araújo afirma que é resultado de má gestão. “Temos outras situações parecidas no Brasil, inclusive de empresas privadas, que por um erro de gestão encontram-se, hoje, em dificuldades”.

O representante da Aneel defendeu o aporte de recursos que faça o equilíbrio econômico financeiro da empresa. “Se isto não é feito e a empresa fica somente acumulando dificuldades, o resultado final nunca será eficiente. Prejuízos se acumulam e a situação não se reverte”, enfatizou.

Por isso, segundo Antônio, os recursos estão sendo destinados à Celg. “Apesar de não serem ainda suficientes diante do tamanho do prejuízo acumulado, será um aporte que colocará a empresa no caminho da recuperação”, frisou.

Também falou o representante da Stiueg, Washington Fraga, que se colocou à disposição para participar do fórum permanente de discussões. No final, foi aberta a palavra para participação do público.

Após participação e questionamento dos presentes no Auditório Solon Amaral, Simeyzon deu por encerrada as discussões sobre o assunto fazendo encaminhamentos de providências a serem tomadas e colheu as assinaturas para a criação do fórum permanente de discussões das questões da Celg, sugerido por ele no início da audiência pública.

O parlamentar convocou a participação atuante de todos e disponibilizou seu gabinete para posteriores dúvidas.

 

 



 

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