Palestra sobre doação de órgãos é encerrada na Assembleia
A Assembleia Legislativa, por meio da Seção de Serviço Social da Assembleia em parceria com a Seção de Atividades Culturais da Casa, com o apoio da Seção de Serviços Médicos, bem como da Diretoria Geral e Mesa Diretora, realizou na manhã desta terça-feira, 18, palestra sobre a importância de ser doador de órgãos e tecidos. O evento foi realizado no Auditório Costa Lima.
Denominado de “Café da Manhã Pela Vida: uma discussão sobre a doação de órgãos e tecidos para transplante”, o tema foi abordado pelo gerente da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Goiás (CNCDO-GO), o médico Luciano Leão, que informou que as palestras fazem parte de uma estratégia da Central para a divulgação da importância de ser doador de órgãos.
Luciano Leão aponta os principais aspectos relacionados ao ato de doar órgãos no intuito de sensibilizar as pessoas e desmistificar o assunto. "Queremos fazer com que as pessoas se sensibilizem e entendam a doação de órgãos e tecidos. Hoje a legislação é bem clara. Se as pessoas não forem doadoras de maneira espontânea, as famílias não vão ter como autorizar."
Luciano Leão falou sobre os aspectos jurídicos, éticos, operacionais e de logística, que envolvem a doação de órgãos. Foi também aberto espaço a participação com direito a perguntas dos presentes. Segundo Luciano Leão, a maior dificuldade é desmistificar os riscos para o possível doador. Ele afirma que o processo não coloca a vida do doador em risco. “As leis brasileiras estão entre as mais rígidas do mundo e o cumprimento dos protocolos é fiscalizado pelo Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina. Não há um caso sequer, na literatura médica mundial, de falso diagnóstico de morte encefálica.”
De acordo com o gerente da Central de Transplantes, a ética da doação de órgãos está intimamente ligada ao fato de ser um gesto altruísta, sem qualquer possibilidade de remuneração ou escolha de quem será beneficiado com o transplante, uma vez que há uma fila de espera única, válida para todo o País, e é preciso haver compatibilidade entre o órgão doado e o receptor.
Para a diretora de Recursos Humanos da Casa, Jacqueline Nasiazene, a parceria da CNCDO-GO com a Assembleia simboliza o significado da doação. “É uma união para colaborar com as milhares de pessoas que hoje precisam de um órgão para transplante. Doar é o maior ato de amor que podemos realizar em nossa existência. Esta atitude representa continuidade e renascimento para muitos cidadãos que aguardam em fila por um transplante de órgão.”
A Central
A Central de Transplantes de Goiás foi criada em 1998 e é vinculada ao sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. De lá para cá, já foram realizados mais de 12 mil transplantes, principalmente de córneas e rins.
O ano de 2012 foi o mais produtivo até agora, com 1.104 transplantes, sendo 43 de medula óssea, 962 de córnea, 73 de rins e 6 de pâncreas+rins. Em 2013, foram realizados 918 transplantes (52 de medula óssea, 793 de córneas, 71 de rins e 2 de pâncreas+rins).
Em janeiro deste ano foram realizados 73 procedimentos, sendo 4 de medula óssea, 66 de córnea e 3 de rins. A lista de espera por um órgão em Goiás tem, até o momento, quase mil inscritos. São 698 pessoas esperando por uma córnea, 256 precisam de um rim, 1 paciente espera por coração e 4 pessoas precisam de transplante de pâncreas/rim. Total: 959 pessoas na fila de espera.