Aldo Arantes falou ao Clube dos Repórteres sobre os 50 anos do Golpe Militar
O ex-deputado Aldo Arantes (PCdoB) foi entrevistado pelo Clube dos Repórteres Políticos de Goiás nesta terça-feira, 1º de abril, no Auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa. Ele é secretário da Comissão Especial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), criada para estimular o debate sobre a reforma política no Brasil.
Aldo Arantes falou sobre a ditadura civil-militar, que completou, ontem, 50 anos. Em 1964, ele era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e também militava na chamada Ação Popular (AP).
O golpe militar de 31 de março de 1964 é um acontecimento latente na memória do País como um período de violações da liberdade e dos direitos humanos que deixou milhares de mortos, desaparecidos e torturados. A conjuntura se prolongou por 21 anos, até 15 de março de 1985 com a posse do civil José Sarney e a instauração da Nova República.
Aldo Arantes diz que, esta data que marca um período memorável para a história do país, traz uma reflexão sobre os prejuízos que o golpe causou ao povo brasileiro. Segundo ele, as práticas de repressão e de violência de Estado que marcaram o período autoritário culminaram em um atraso significativo do progresso da sociedade brasileira.
O ex-parlamentar disse que, no período em que golpe aconteceu, os brasileiros estavam muito entusiasmados com a ascensão da economia e da cultura do País e que a população tinha uma forte vontade de participar das suas questões. “Os trabalhadores urbanos, os trabalhadores rurais, a juventude, os estudantes universitários, os camponeses, os intelectuais... Todos estavam muito motivados com o Brasil”, destacou.
Aldo enfatiza que os problemas vieram para romper com o entusiasmo da sociedade, como a submissão da economia brasileira aos interesses dos Estados Unidos, medidas adotadas contra os trabalhadores urbanos, a contenção do processo de reforma agrária, a repressão da luta dos estudantes e a corrupção.
Atualmente, no cargo de Secretário da Comissão Especial da Ordem dos Advogados do Brasil, Aldo Arantes diz que o Brasil precisa urgentemente de reformas estruturais. Ele lembra que o ex-presidente, João Goulart (24° presidente do país, de 1961 a 1964), já levantava os problemas estruturais brasileiros e a necessidade das reformas de base.